
Barbara R. Duguid 14 de Agosto de 2017 - Família
O texto abaixo foi extraído do livro Graça Extravagante, de Barbara Duguid, da Editora Fiel.
Minha vida dupla (1ª parte)
Três meses depois, Ian
chegou do Reino Unido à nossa unidade para trabalhar como engenheiro
elétrico. Nossa amizade teve um começo difícil por causa da diferença
cultural entre britânicos e americanos. Contudo, um ano depois me
apaixonei por um homem que eu respeitava profundamente. Eu sentava ao
lado deste homem piedoso, e suas palavras de compaixão, humildade, graça
e bondade eram revigorantes para minha alma. Esperava desgosto.
Esperava repreensão e rejeição. Mas, em vez disso, fui recebida com um
perdão que dificilmente eu podia compreender. Eu sabia o que merecia!
Merecia estar presa, pelo resto de minha vida, em um casamento infeliz
com um homem que eu não respeitava nem amava mais. No entanto, em vez
disso, parecia que Deus estava me oferecendo o melhor dos melhores, o
melhor de todos, um príncipe entre os homens! Não era para as coisas
acontecerem assim. A Bíblia não diz que colhemos o que plantamos
(Gálatas 6.7)? Não recebemos o que merecemos? Então, como as coisas
poderiam estar sendo assim? Parecia que Deus estava me dando exatamente o
oposto do que eu merecia; e eu estava seriamente confusa.
Naquele dia, o chão
pareceu desaparecer sob meus pés, quando velhas fortalezas de justiça
própria começaram a se desfazer. Foi naquele dia que comecei a entender o
evangelho. Sempre acreditara que podia ser salva somente pela fé em
Cristo, mas, ao estilo típico de um cristão imaturo, havia transformado
isso em uma barganha com Deus. O combinado era que, se eu tivesse fé e
obediência, ele me daria salvação, bênçãos e benevolência. Nas palavras
daquele hino clássico, acreditava que, se cresse e obedecesse, Deus me
deveria felicidade por meio de Jesus. Contudo, se eu não fizesse a minha
parte, estaria à minha própria mercê. Eu ainda não sabia que a própria
fé para crer nele era um dom concedido por Deus a mim ou que teria de
depender dele em cada momento de obediência ao longo de toda a minha
vida. Certamente, eu não tinha cumprido minha parte no acordo e, por
isso, estava certa de que Deus me repreenderia em algum momento e me
faria pagar por todos esses pecados.
É importante
acrescentar a observação de que, se Deus tivesse permitido que eu
recebesse as consequências do meu pecado até essa altura de minha vida,
ele continuaria sendo completamente bom e justo. Nem sempre Deus nos
livra das consequências de nossos pecados. Apesar de haver removido, de
uma vez por todas, o castigo eterno que eu mereço por meu pecado,
lançando-o em Jesus, muitas vezes Deus me deixa sofrer os amargos
efeitos colaterais de meus erros e de meu pecado aqui na terra, a fim de
me tornar mais humilde, ensinar-me dependência e treinar-me na retidão.
Existem princípios
gerais nas Escrituras que se aplicam no decorrer de nossa vida. É bem
verdade que colhemos o que plantamos: se trabalharmos duro, colheremos
prosperidade, enquanto, por outro lado, se formos preguiçosos,
passaremos fome. No entanto, há momentos na vida da maioria dos crentes
em que Deus faz uma grande reversão, como se a intenção dele fosse
impressioná-los e mostrar-lhes a profunda generosidade de seu coração.
Existem momentos assustadores nos quais compreendemos que estragamos
tudo de tal modo que, certamente, Deus deveria nos expor e nos castigar
para o nosso próprio bem. Então, algo completamente diferente acontece.
Deus não somente se recusa a nos dar o castigo que tanto merecemos, mas
também nos inunda com amável bondade e nos surpreende com alegria.
John Newton
experimentou essa generosidade surpreendente de Deus muitas vezes em sua
vida. Durante um ano, ele passou por um período desesperadamente
miserável na África Ocidental, onde foi um verdadeiro escravo de seu
empregador. Chegou a um estado lastimável por anos de imaturidade e
rebelião contra Deus e contra aqueles que, durante a viagem marítima,
tinham autoridade sobre ele. Em determinado momento, Newton adoeceu e
quase morreu. Em outros momentos, ele quase morreu de fome. Depois de
algum tempo, um navio com instruções de procurá-lo chegou
providencialmente ao lugar em que ele estava trabalhando. Se o navio
tivesse chegado alguns dias depois, ele teria estado em terra firme numa
viagem de negócios. Houvesse chegado mais cedo, ele estaria trabalhando
numa fábrica em algum outro lugar.
Na viagem para casa, o
navio quase afundou várias vezes — na verdade, se não estivesse
carregando uma carga de cera de abelha e madeira, que são mais leves que
a água, certamente teria afundado. A certa altura, durante a
tempestade, o capitão mandou Newton buscar uma faca, e o homem que
assumiu o lugar de Newton acabou sendo varrido imediatamente para fora
do barco, rumo à morte. Todas essas extraordinárias libertações
aconteceram quando ele ainda era um furioso blasfemador contra Deus. Nem
sempre ganhamos o que merecemos nesta vida. Na verdade, às vezes
ganhamos exatamente o oposto.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
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