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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Quem foi Aiden Wilson Tozer ?


A. W. Tozer, como era mais conhecido, foi um fiel seguidor de Cristo que se converteu ainda adolescente. Autodidata, Tozer impactou milhares de vidas através de suas obras e pregações, que ultrapassam gerações e tocam corações até hoje. Sempre enfatizou a necessidade de um profundo conhecimento de Deus e como cada cristão precisa desenvolver e evoluir em sua vida interior, seu lado espiritual, seu caminhar com Cristo.

A vida inteira, o renomado professor A. W. Tozer foi convidado com frequência para falar em seminários, igrejas e conferências bíblicas a respeito da cruz e seu significado na vida cristã. Agora, nesta compilação inédita de seu melhor ensino sobre o assunto, você obterá um entendimento renovado da centralidade da cruz no seu caminhar de fé em Cristo.

Como viver uma experiência cristã mais profunda

O que significa estar “crucificado com Cristo”? Em uma era de relações e compromissos rasos, o título A vida crucificada da Editora Vida, anda na contramão mostrando a profundidade da vida cristã.

Tozer responde neste livro o que é, afinal, ter uma vida crucificada, aquela que Cristo resgatou na cruz, redimiu do julgamento do pecado e tornou um sacrifício digno e aceitável de Deus trazendo para sua época termos que não eram comuns, mas que ele estudava com todo afinco.

A ênfase da vida crucificada sempre foi prosseguir em direção ao estado de perfeição espiritual. Este conceito não foi tratado apenas por Tozer, mas por muitos que vieram antes dele, e ao perceber isso, ele resolve, mais uma vez, trazer desse assunto; dessa vez de uma maneira mais clara e direta.

Ao chegar ao final da leitura deste livro, entenderemos que tudo o que nos acontece é para nos tornar mais parecido com Cristo. Com isso, grande parte, se não toda, nossa ansiedade é dissipada e nossos medos amenizados.

O apóstolo Paulo declarou em sua carta aos gálatas que havia sido “crucificado com Cristo”. Mas o que significa isso? É algo que todo cristão pode e deve afirmar? A vida crucificada é um exame abrangente dessas questões, respondidas com o profundo pensamento bíblico pelo qual Tozer costuma ser reverenciado. “Deus é hábil em desenvolver cruzes para seus seguidores”, ele gostava de dizer. No cerne deste livro, você encontrará um chamado para seguir Cristo até a cruz e ser ressuscitado para uma nova vida — um chamado para viver a vida crucificada.

O livro A vida crucificada faz parte da Jornada de devoção Raízes, box fevereiro 2022. Acesse nosso site e participe!

www.doxabox.com.br


À PROCURA DE DEUS(3) - Removendo o Véu - A.W. Tozer

À PROCURA DE DEUS(2) - A Benção de Não Possuir Nada - A.W. Tozer

sábado, 16 de junho de 2018

O ministério da noite




A. W. Tozer
Se Deus te selecionou para ser um objeto especial de sua graça, pode esperar que ele te honre com uma disciplina mais estrita e um sofrimento maior do que aqueles que são chamados para suportar os menos favorecidos.
Neste ponto, me permita antecipar a objeção que certamente alguém possa levantar, isto é, que Deus não tem «preferidos» entre os seus filhos. As Sagradas Escrituras e a história cristã concordam em mostrar que tem sim. Uma estrela difere de outra em glória, tanto entre os santos sobre a terra como entre os que foram glorificados no céu. Sem dúvida, as diferenças existem; se for por um decreto de Deus, ou por seu prévio conhecimento do grau de receptividade que encontrará entre seus filhos, não estou preparado para dizê-lo com certeza – embora me incline fortemente para o último ponto de vista.
Se Deus empreender a tarefa de te fazer um cristão fora do comum, é provável que não seja tão amável contigo como o pintam os mestres populares. O escultor não usa ferramentas de manicuro para reduzir o mármore bruto e sem forma em uma bela peça. A serra, o martelo e o cinzel são ferramentas cruéis, mas sem elas a áspera pedra permaneceria para sempre sem forma, nem beleza.
Para fazer dentro de ti a sua obra de graça suprema, ele tirará do seu coração tudo o que mais amas. Tudo aquilo no que confia se irá de ti. Onde estavam antes os seus tesouros mais preciosos, jazerão em montes de cinzas.
Não se trata de ensinar o poder santificador da pobreza. Se pobreza pudesse fazer os homens santos, cada mendigo que se senta no banco da praça seria um santo. Mas Deus conhece o segredo de como remover de nossos corações as coisas que seguem sendo ainda importantes para nós. O que ele faz é impedir que desfrutemos delas. Permite-nos tê-las ainda, mas nos faz psicologicamente incapazes de permitir que nosso coração se divirta com elas. Assim se tornam úteis, sem ser danosas.
Tudo isto Deus conseguirá a custa dos prazeres comuns que até o momento sustentavam e animavam a sua vida. Agora, sob o cuidadoso tratamento do Espírito Santo, a sua vida se tornará seca, sem sabor e em certa medida uma carga para ti. Enquanto estiver nessa condição, você existirá só por uma espécie de cega vontade de viver. Não encontrará nada da doçura interior que desfrutava antes. O sorriso de Deus será retirado de ti nesse tempo, ou ao menos será escondido dos seus olhos. Então aprenderá o que é a fé; descobrirá que é um caminho duro, mas o único caminho aberto para ti. Aprenderá que a verdadeira fé se encontra na vontade, e que o gozo indescritível do que fala o apóstolo não é em si mesmo a fé, mas o fruto da fé; um fruto que madurou lentamente. E aprenderá que os gozos espirituais do presente vêm e vão à vontade, sem alterar a sua condição espiritual, ou afetar em nada a sua posição espiritual como verdadeiro filho do Pai Celestial. Aprenderá também, provavelmente para a sua surpresa, que é possível viver com toda boa consciência diante de Deus e dos homens, e ainda não sentir nada da «paz e do gozo», sobre os quais tanto ouviu falar em cristãos imaturos.
Quanto tempo você permanecerá na noite da alma dependerá de vários fatores, alguns dos quais será capaz de identificar mais tarde; enquanto que outros permanecerão com Deus, completamente escondidos para ti. As palavras: «Teu é o dia, tua também é a noite», lhe serão interpretadas pelo melhor dos mestres, o Espírito Santo. E conhecerá em sua própria experiência que bênção é o ministério da noite.
Mas, há um limite para a capacidade do homem de viver sem gozo. Inclusive Cristo pôde suportar a cruz só pelo gozo posto diante dele. O aço mais forte é fraturado se estiver sob tensão incessante. Deus sabe exatamente quanta pressão pode resistir cada um de nós. Ele conhece quanto tempo podemos suportar a noite, pelo qual dá alívio a nossa alma, primeiro, com os vislumbres que dão as boas-vindas à estrela da manhã, e em seguida, com a luz mais plena que a mesma manhã pressagia.
Pouco a pouco descobrirá o amor de Deus em seu sofrimento. O seu coração começará a aceitar todo o assunto. Aprenderá por ti mesmo o que todas as escolas no mundo não lhe poderiam ensinar – a ação curadora da fé além do prazer. Sentirá e entenderá o ministério da noite; o seu poder para purificar, remover, humilhar e destruir o temor à morte, e o que é mais importante para ti nesse momento, o temor à vida. Aprenderá que, em ocasiões, a dor pode fazer o que o gozo não pode, como expor a vaidade das coisas insignificantes deste mundo e encher o seu coração de desejo pela paz do céu.
O que estou escrevendo aqui não é de nenhum modo original. Tem sido descoberto de novo por cada geração de cristãos que procuram, e é quase um clichê da vida mais profunda. Mas é necessário dizê-lo enfaticamente e com freqüência a esta geração de crentes, porque o tipo de cristianismo que agora está na moda não inclui nada tão sério e difícil como isto. A busca do cristão moderno é provavelmente de paz mental e gozo espiritual, com um bom grau de prosperidade material acrescentada como prova exterior do favor divino.
Alguns, não obstante, entenderão estas coisas – embora seja em um número relativamente pequeno – e constituirão um ferrenho núcleo de santos praticantes, tão extremamente necessários nesta hora solene se é que o Cristianismo do Novo Testamento vai sobreviver até a próxima geração.
A.W. Tozer, em That Incredible Christian» (Esse Cristão Incrível).

http://www.aguasvivas.ws/revista/55/legado2.htm

Nós Nos Tornamos Naquilo Que Amamos



Nós Nos Tornamos Naquilo Que Amamos
por
A. W. Tozer


Estamos todos num processo de transformação. Já saímos daquilo que éramos e chegamos a esta posição onde estamos; agora estamos caminhando para aquilo que seremos.
Saber que nosso caráter não é sólido e imutável e, sim, flexível e maleável não é, em si, uma idéia que incomoda. De fato, a pessoa que conhece a si mesma pode receber grande consolo ao compreender que não está petrificada no seu estado atual; que é possível deixar de ser aquilo que se envergonha de ter sido até então; e que pode caminhar em direção à transformação que seu coração tanto almeja.
O que perturba não é o fato de estarmos em transformação, e sim no quê estamos nos tornando; não é problema o estarmos em movimento, precisamos saber para onde estamos nos movendo. Pois não está na natureza humana mover-se num plano horizontal; ou estamos subindo ou descendo, alçando vôo ou afundando. Quando um ser moral (com o poder de escolha) se desloca de uma posição a outra, necessariamente é para o melhor ou para o pior.
Isto é confirmado por uma lei espiritual revelada no Apocalipse: "Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se" (Ap 22.11).
Não só estamos todos num processo de transformação, mas estamos nos tornando naquilo que amamos. Em grande medida, somos a somatória de tudo que amamos e, por necessidade moral, cresceremos na imagem daquilo que mais amamos; pois o amor, entre outras coisas, é uma afinidade criativa; muda, molda, modela e transforma. É sem dúvida o mais poderoso agente que afeta a natureza humana depois da ação direta do Espírito Santo dentro da alma.
O objeto do nosso amor, então, não é um assunto insignificante a ser desprezado. Pelo contrário, é de importância atual, crítica e permanente. É profético do nosso futuro. Mostra-nos o que seremos e, desta forma, prediz com precisão nosso destino eterno.
Amar objetos errados é fatal para o crescimento espiritual; torce e deforma a vida e torna impossível a imagem de Cristo se formar na alma humana. É somente quando amamos as coisas certas que nós mesmos podemos estar certos; e é somente enquanto continuamos amando-as que podemos nos deslocar lenta, mas firmemente, em direção aos objetos da nossa afeição purificada.
Isto nos dá em parte (e somente em parte) uma explicação racional para o primeiro e grande mandamento: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento" (Mt 22.37).
Tornar-se semelhante a Deus é, e precisa ser, o supremo objetivo de toda criatura moral. Esta é a razão da sua criação, a finalidade sem a qual não existiria nenhuma desculpa para sua existência. Deixando de fora, no momento, aqueles estranhos e belos seres celestiais a respeito dos quais conhecemos tão pouco (os anjos), concentraremos nossa atenção na raça caída da humanidade. Criados originalmente na imagem de Deus, não permanecemos no nosso estado original, deixamos nossa habitação apropriada, ouvimos os conselhos de Satanás e andamos de acordo com o curso deste mundo e com o espírito que agora opera nos filhos da desobediência.
Mas Deus, que é rico em misericórdia, com seu grande amor com que nos amou, mesmo quando estávamos mortos em nossos pecados, proveu-nos expiação. A suprema obra de Cristo na redenção não foi salvar-nos do inferno, mas restaurar-nos à semelhança de Deus, ao propósito declarado em Romanos 8: "Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho" (Rm 8.29).
Embora a perfeita restauração à imagem divina aguarda o dia do aparecimento de Cristo, a obra da restauração está em andamento agora. Há uma lenta, porém firme, transmutação do vil e impuro metal da natureza humana para o ouro da semelhança divina, que ocorre quando a alma contempla com fé a glória de Deus na face de Jesus Cristo ( 2 Co 3.18).

Supremo Amor a Deus
Neste ponto, seria proveitoso antecipar uma dificuldade e tentar esclarecê-la. É a questão que surge de um conceito errado sobre o amor. Este conceito errado pode ser definido mais ou menos assim: O amor é volúvel, imprevisível e quase totalmente fora do nosso controle. Surge espontaneamente e tanto pode perdurar como apagar-se sozinho. Como, então, podemos controlar nosso amor? Como podemos direcioná-lo para objetos mais ou menos dignos? E, especialmente, como podemos obrigá-lo a focalizar-se em Deus como o objeto apropriado e permanente da sua devoção?
Se o amor fosse, de fato, imprevisível e além do nosso controle, estas perguntas não teriam respostas satisfatórias e nossa perspectiva seria desoladora. A simples verdade, entretanto, é que o amor espiritual não é esta emoção caprichosa e irresponsável que as pessoas pensam erroneamente que é. O amor é servo da nossa vontade e sempre terá de ir para onde for enviado e fazer o que lhe foi ordenado.
A expressão romântica "apaixonar-se" nos deu a noção que somos obrigatoriamente vítimas das flechas do Cupido e que não podemos ter controle algum sobre nossos sentimentos. Os jovens hoje esperam se apaixonar e ser arrebatados por uma tempestade de emoções deliciosas. Inconscientemente, estendemos este conceito de amor à nossa relação com o Criador e nos perguntamos: Como podemos nos obrigar a amar a Deus acima de todas as coisas?
A resposta a esta pergunta, e a todas as outras relacionadas a ela, é que o amor que temos por Deus não é o amor do sentir, mas o amor do querer. O amor está dentro do nosso poder de escolha, de outra forma não teríamos na Bíblia a ordem de amar a Deus, nem teríamos de prestar contas por não amá-lo.
A mistura do ideal de amor romântico com o conceito de como nos relacionar com Deus foi extremamente prejudicial às nossas vidas cristãs. A idéia de que é necessário "apaixonar-se" por Deus, como algo passivo da nossa parte, fora do nosso controle, é uma atitude ignóbil, antibíblica, indigna da nossa parte e que certamente não traz honra alguma ao Deus Altíssimo. Não chegamos ao amor por Deus através de uma repentina visitação emotiva. O amor por Deus vem do arrependimento, de um desejo de mudar o rumo da vida e de uma determinação resoluta de amá-lo. À medida que Deus entra de maneira mais completa no foco do nosso coração, nosso amor por ele pode, de fato, expandir-se e crescer dentro de nós até varrer, qual enchente, tudo que estiver à sua frente.
Mas não devemos esperar por esta intensidade de sentimento. Não somos responsáveis por sentir, somos responsáveis por amar, e o verdadeiro amor espiritual começa com o querer. Devemos fixar nosso coração para amar a Deus acima de todas as coisas, por mais frio ou duro que este possa estar, e depois confirmar nosso amor através de cuidadosa e alegre obediência à sua Palavra. Emoções prazerosas certamente seguirão. Cânticos de passarinhos e flores não produzem a primavera, mas quando a primavera chega todos estes sinais a acompanharão.
Agora, apresso-me em negar qualquer identificação com a idéia popular de salvação por esforço humano ou força de vontade. Estou radicalmente oposto a toda forma de doutrina, com "capa" cristã, que ensina a depender da "força latente dentro de nós", ou a confiar em "pensamento criativo" no lugar do poder de Deus. Todas estas filosofias infundadas falham exatamente no mesmo ponto – por presumirem erroneamente que a correnteza da natureza humana possa ser levada a voltar e subir as cataratas no sentido contrário. Isto é impossível. "A salvação vem do Senhor".
Para ser salvo, o homem perdido precisa ser alcançado pelo poder de Deus e elevado a um nível superior. Precisa haver uma transmissão de vida divina no mistério do novo nascimento, antes de poder aplicar à sua vida as palavras do apóstolo: "E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito" (2 Co 3.18, NVI).
Ficou estabelecido aqui, espero, que a natureza humana está num processo de formação e que vai progressivamente se transformando na imagem daquilo que ama. Homens e mulheres são amoldados por suas afeições e poderosamente afetados pelo desenho artístico daquilo que amam. Neste mundo adâmico e caído, isto produz diariamente tragédias de proporções cósmicas. Pense no poder que transformou um garotinho inocente, de bochechas rosadas, num Nero ou num Hitler. E Jezabel, será que sempre foi a mulher maldita cuja cabeça nem os cachorros quiseram comer? Não! No princípio, ela também sonhou com a pureza de uma garotinha e se enrubescia ao pensar no amor sentimental; mas logo ficou atraída por coisas perversas, admirava-as e finalmente passou a amá-las. Aí a lei da afinidade moral tomou conta e Jezabel, como argila na mão do oleiro, se tornou aquele ser deformado e odioso que os eunucos jogaram pela janela (2 Rs 9.30-37).

Objetos Morais Dignos do Nosso Amor
Nosso Pai celestial proveu para seus filhos objetos morais e dignos de serem admirados e amados. São para Deus como as cores no arco-íris em volta do trono. Não são Deus, porém estão mais próximos a Deus; não podemos amá-lo sem amar estas coisas e à medida que as amarmos, seremos capacitados a amá-lo ainda mais. Quais são elas?
A primeira é justiça. Nosso Senhor Jesus amava justiça e odiava iniqüidade (Hb 1.9). Por esta razão, Deus o ungiu com o óleo da alegria acima de todos seus companheiros. Aqui temos um padrão definido. Amar implica também em odiar. O coração atraído à justiça será repelido pela iniqüidade no mesmo grau de intensidade; esta repulsão moral é ódio. A pessoa mais santa é aquela que mais ama a justiça e que odeia o mal com o ódio mais perfeito.
Depois vem a sabedoria. Temos a palavra "filosofia", que vem dos gregos e significa o amor à sabedoria; porém os profetas hebreus vieram antes dos filósofos gregos e seu conceito de sabedoria era muito mais elevado e espiritual do que qualquer coisa que se conhecesse na Grécia. A literatura da sabedoria no Velho Testamento – Provérbios, Eclesiastes e alguns dos Salmos – pulsa com um amor à sabedoria desconhecido até por Platão.
Os escritores do Velho Testamento colocam a sabedoria num plano tão elevado que às vezes mal conseguimos distinguir a sabedoria que vem de Deus da sabedoria que é Deus. Os hebreus anteciparam por alguns séculos o conceito grego de Deus como a essência da sabedoria, embora seu conceito da sabedoria fosse mais moral do que intelectual. Para os hebreus, o homem sábio era o homem bom e piedoso, e sabedoria na sua maior nobreza era amar a Deus e guardar seus mandamentos. O pensador hebreu não conseguia separar sabedoria de justiça.
Um outro objeto para o amor cristão é a verdade. Aqui também teremos dificuldade em separar a verdade de Deus da sua pessoa. Cristo disse: "Eu sou a verdade", e ao dizer isso, uniu verdade com a divindade de forma indissolúvel. Amar a Deus é amar a verdade, e amar a verdade com ardor constante é crescer em direção à imagem da verdade e afastar-se da mentira e do erro.
Não é necessário tentar relacionar todas as outras coisas boas e santas que Deus aprovou como nossos modelos. A Bíblia as coloca diante de nós: misericórdia, bondade, pureza, humildade, compaixão e muitas outras, e aqueles que forem ensinados pelo Espírito saberão o que fazer a respeito delas.
Em síntese, devemos amar e cultivar interesse em tudo que é moralmente belo. Foi por isto que Paulo escreveu aos filipenses: "Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas" (Fp 4.8).


Fonte: Extraído do livro God Tells the Man Who Cares (Deus Conta ao Homem Que se Importa), de A. W. Tozer.
http://www.monergismo.com/textos/vida_piedosa/amamos_tozer.htm

O Deus que já não é mais Conhecido – A. W. Tozer




O mundo é mau, os tempos estão chegando ao fim, e a glória do Senhor desapareceu da Igreja como a nuvem de fogo saiu certa vez de cima da porta do Templo à vista do profeta Ezequiel.

O Deus de Abraão retirou de nós a Sua presença consciente, e outro deus a quem nossos pais não conheceram está se ambientando entre nós. Este deus foi feito por nós, e porque o criamos nós o compreendemos; porque o fizemos, ele não nos surpreende, nunca nos deslumbrará, nem nos deixará atônitos, nem transcenderá.
O Deus da glória por vezes Se revelava como um sol, a aquecer e abençoar, certamente; mas, freqüentemente sobrepujava, surpreendia e cegava antes de curar e dar visão permanente. Este Deus dos antigos quer ser o Deus da raça que veio após eles. Só precisamos preparar-Lhe habitação com amor, fé e humildade. Basta desejá-lO com todas as nossas forças, e Ele virá e Se manifestará a nós.

Permitiremos que um homem santo e refletido nos exorte? Ouçamos Anselmo, ou melhor, atendamos às suas palavras:

"Levante-se, homenzinho! Deixe por um pouco as suas ocupações, afaste-se um momento dos seus pensamentos perturbadores. Deixe de lado o fardo dos seus cuidados, e guarde para depois os seus negócios trabalhosos. Tome algum tempo para passar com Deus, e descanse nEle por um pouco. Entre na câmara interior de sua mente; desligue todo pensamento que não seja de Deus e daquilo que possa auxiliar você a buscá-lO. Fale agora, de todo o coração! Fale agora a Deus: Eu busco a Tua face. A Tua face, Senhor, eu buscarei."

De tudo que possa ser pensado ou dito a respeito de Deus, a Sua infinitude é a coisa mais difícil de compreender. Mesmo a tentativa de concebê-la nos parece contraditória, pois tal conceituação nos leva a tentar empreender algo que de início sabemos que jamais conseguiremos. Porém, temos de tentar, pois as Escrituras Sagradas nos ensinam que Deus é infinito e se aceitamos os Seus outros atributos, temos de necessariamente aceitar também este.

Não devemos desanimar em nosso esforço de compreender, pelo fato de o caminho ser difícil e não existirem auxílios mecânicos para a ascensão. A vista fica melhor quando alcançamos um lugar mais alto e a viagem não é para os pés e sim para o coração. Vamos buscar, portanto, "os transes da mente e as viagens do pensamento" que Deus deseja nos outorgar, sabendo que muitas vezes Ele dá vista aos cegos e fala às crianças de peito verdades jamais sonhadas pelos sábios e prudentes. Agora os cegos deverão ver e os surdos ouvir. Agora devemos esperar receber os tesouros encobertos e as riquezas escondidas em lugares secretos.

Infinitude significa algo sem limites, e para uma mente finita é evidentemente impossível compreender o Ilimitado. Neste capítulo sou forçado a pensar um passo para trás daquilo que estou escrevendo, e o leitor tem necessidade de pensar um grau menos do que aquilo sobre o qual está tentando pensar. Ó profundidade de riqueza, tanto de sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis os Seus juízos, e inescrutáveis os Seus caminhos!

Já sugerimos anteriormente a razão do nosso dilema. Es¬tamos tentando visualizar um modo de ser totalmente estranho a nós, diferente de tudo de que temos conhecimento no nosso mundo familiar de matéria, espaço e tempo.

Novaciano escreveu: "Aqui, como em todas as nossas meditações sobre as qualidades e o conteúdo de Deus, estamos além do nosso poder de conceituação; a eloqüência humana não sabe expor um poder comensurável com Sua grandeza. Na contemplação e exaltação de Sua majestade toda a eloqüência emudece, todo esforço mental desvanece. Pois Deus é maior do que a própria mente; Sua grandeza é inconcebível. Se pudéssemos imaginar a Sua grandeza, Ele seria menor que a mente humana que o concebesse. Mas Ele é maior que qualquer linguagem, e nenhuma afirmação poderá expressa-10; seria Ele menos do que a língua humana se através de uma expressão pudéssemos englobar e dizer tudo que Ele é. Nossos pensa¬mentos serão todos menores do que Ele, e nossas palavras mais elevadas serão triviais quando comparadas a Ele."

Infelizmente, a palavra infinito nem sempre tem sido usada com o seu significado preciso, sendo muitas vezes empregada para indicar "muito" ou "bastante", como quando dizemos que o artista toma infinitos cuidados com o seu quadro, ou uma professora tem uma paciência infinita com a sua aula. Corretamente, a palavra não poderá ser usada em relação a nenhuma coisa criada; só se aplica a Deus. Portanto, argumentar sobre o fato de o espaço ser ou não infinito é apenas um jogo de palavras. A infinitude só pode pertencer a Um. Não pode haver um segundo.

Quando dizemos que Deus é infinito queremos dar a idéia de que Ele não conhece limites. O que Deus é, e tudo que Deus é, Ele o é sem limite algum. Mais uma vez temos de nos desvencilhar do significado popular das palavras. "Riqueza ilimitada" e "energia sem medida" são outros exemplos do uso errado das palavras. Naturalmente, nenhuma riqueza é ilimi¬tada e nenhuma energia é sem medida, a não ser que estejamos falando da riqueza e energia de Deus.

Mais uma vez, dizer que Deus é infinito é dizer que não existe meio de medi-lo. As medidas são a maneira pela qual as coisas criadas dão conta de si mesmas. Elas indicam limita¬ções, imperfeições, e não poderão ser aplicadas a Deus. O peso indica a força de gravidade da terra sobre os corpos materiais; a distância mede os intervalos entre os corpos no espaço; o comprimento significa a extensão no espaço, e existem outras medidas conhecidas por nós que são usadas para líquidos, energia, som, luz e números para os múltiplos. Tentamos medir também as qualidades abstratas, e falamos de grande ou pequena fé, alta ou baixa inteligência, maior ou menor talento.

Não está claro que tudo isso não se aplica nem pode aplicar-se a Deus? É a maneira pela qual vemos as obras de Suas mãos, mas não a maneira como nós O vemos. Ele está acima de tudo isso, além e fora de tudo. Os nossos conceitos de medida abrangem homens e montanhas, estrelas e átomos, gravidade, energia, números, velocidade, mas jamais poderão medir a Deus. Não podemos falar de medidas e quantidade, e tamanho e peso, ao mesmo tempo em que estivermos falando de Deus, pois estes dizem respeito a graduações, e não existem graus em Deus. Tudo que Ele é, Ele o é sem crescimento ou soma, ou desenvolvimento. Nada em Deus é menos ou mais, grande ou pequeno. Ele é o que é em Si mesmo, sem qualificativos de pensamento ou palavra. É Deus, simplesmente.

No terrível abismo do Ser divino podem existir atributos dos quais não temos qualquer conhecimento e que não possuem significado algum para nós, assim como os atributos de misericórdia e graça não têm significado algum, pessoalmente, para os serafins ou querubins. Estes seres santos poderão saber destas qualidades de Deus, mas são incapazes de sentir simpatia por elas, pois nunca pecaram e assim jamais tiveram necessidade da misericórdia ou graça divina. Portanto, podem existir, e acredito que sem dúvida existem, outros aspectos da personalidade essencial de Deus que Ele não revelou nem sequer aos Seus filhos, remidos do pecado e agora iluminados pelo Espírito Santo. Estas facetas ocultas da natureza de Deus só concernem à Sua relação consigo mesmo. São como a face oculta da lua, que sabemos existir mas que nunca foi explorada e que não tem significado imediato para os homens na terra. Não há razão para tentarmos descobrir aquilo que não nos foi revelado. Basta saber que Deus é Deus.

Sempre enchendo o Teu próprio Ser
Com Tua chama auto-acesa,
Em Ti mesmo estás destilando
Unções incontáveis.
Sem a adoração das criaturas,
Sem velar as Tuas qualidades,
És, Deus sempre o mesmo!
FREDERICK W. FABER

Mas a infinitude de Deus pertence a nós e nos foi revelada para o nosso proveito eterno. Todavia, o que exatamente, ela significa para nós além da maravilha de pensar a esse respeito? Significa muito em todos os aspectos, e mais ainda, à medida que nos conhecemos melhor e aprofundamo-nos no conhecimento de Deus.

Porque a natureza de Deus é infinita, tudo que provém dela também o é. Nós, pobres criaturas humanas que somos, nos vemos constantemente frustrados pelas limitações interiores e exteriores a nós impostas. Os dias dos anos de nossas vidas são poucos, e mais velozes do que a lançadeira do tecelão. A vida não passa de um ensaio curto e febril de um concerto que não chegaremos a realizar. No momento em que pensamos ter alcançado alguma habilidade, somos obrigados a deixar de lado os nossos instrumentos. Simplesmente não há tempo suficiente para pensar, para tornar-se alguém, para realizar aquilo que a própria constituição de nossa natureza indica sermos capazes de fazer.

Como é plenamente satisfatório esquecer-nos completamente das nossas limitações e nos volvermos para um Deus que não as tem! Anos de eternidade se encontram no Seu coração. Para Ele o tempo não passa, permanece; e aqueles que estão em Cristo compartilham com Ele todas as riquezas do tempo sem limites e anos sem fim. Deus não tem pressa. Não tem de trabalhar contra o tempo. Só o fato de sabermos isso, pode aquietar o nosso espírito e relaxar os nossos nervos. Para os que se encontram fora de Cristo o tempo é uma fera devoradora; mas perante os filhos da nova criação, o tempo rasteja, ronrona e lhes lambe as mãos. O inimigo da antiga raça humana se torna amigo da nova, e as estrelas em seus cursos lutam pelo favor do homem a quem Deus se agrada em honrar. Esta a lição que podemos aprender da infinitude divina.

Mas há mais. Os dons de Deus na natureza têm as suas limitações. São finitas porque foram criadas, mas o dom da vida eterna em Cristo Jesus é tão ilimitado quanto Deus. O cristão possui a vida de Deus e compartilha com Ele da Sua infinitude. Em Deus há vida suficiente para todos e tempo suficiente para gozá-la. Tudo que possui vida natural segue o seu ciclo, desde o nascimento até a morte, e deixa de existir; mas a vida de Deus retorna a si mesma e jamais cessa. E a vida eterna é esta: conhecer o Deus único e verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem Ele enviou.

A misericórdia de Deus também é infinita, e o homem que já sentiu o aguilhão lacerante da culpa interior sabe que isso é mais do que uma simples afirmação acadêmica. "Onde abundou o pecado superabundou a graça." O pecado que em tudo avulta é o terror do mundo, mas a graça abundante é a esperança da humanidade.

Por mais que o pecado permeie o mundo, ainda tem os seus limites, pois é o produto de mentes e corações finitos; mas o "muito mais" de Deus nos introduz à infinitude. Em oposição à nossa profunda enfermidade como criaturas, encontra-se a infinita capacidade de cura de Deus.

O testemunho cristão através dos séculos tem sido este: "Deus amou o mundo de tal maneira. . ." Resta-nos ver este amor à luz da infinitude de Deus. O Seu amor não tem medida. É mais do que isso: não tem limite algum. Não tem limites porque não é uma coisa e sim uma faceta da natureza essencial de Deus. O Seu amor é algo que Ele é, e porque Ele é infinito esse amor abrange em si mesmo todo o mundo criado, e tem ainda lugar para dez mil outros mundos além deste.

Este, este é o Deus, nosso adorável
Deus amigo fiel e imutável,
De amor tão grande quanto o poder;
O Deus que não tem fim, não tem medida.
Este é Jesus, o que era e há de ser,
Cujo Espírito guia a nossa vida.
Nós O louvamos pelo que é passado.
 E cremos no futuro em Si guardado.

JOSEPH HART

Nosso Pai Celestial: Permite que vejamos a Tua glória, mesmo que tenha de ser por detrás da fenda protetora da rocha e sob o abrigo da Tua mão. Não importa o preço em perda de amigos, ou bens, ou duração dos nossos dias, permite que conheçamos a Ti como Tu és, para que possamos adorar-Te como deveríamos. Por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

http://www.josemarbessa.com/2010/09/o-deus-que-ja-nao-e-mais-conhecido-w.html

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O VENTO EM NOSSO ROSTO - A. W. TOZER



"DEUS VOS CHAMOU para o lado de Cristo", escreveu o piedoso Rutherford, "e agora o vento está dando no rosto de Cristo nesta terra; e vendo que estais com Ele, não podeis esperar abrigo a sotavento ou do lado ensolarado da escarpa."

Com a bela sensibilidade para as palavras que caracterizava a mais casual declaração de Samuel Rutherford, ele aqui cristaliza para nós um dos grandiosos fatos radicais da vida cristã. O vento está soprando no rosto de Cristo e, porque O acompanhamos, também temos o vento em nosso rosto. Não devemos esperar menos.

O anseio pelo abrigo ensolarado é deveras natural, e, para as criaturas sensíveis que somos, é inteiramente desculpável, suponho eu. Ninguém gosta de andar no vento frio. Contudo, a igreja vem tendo de marchar com o vento dando em seu rosto através dos séculos.

Em nossa avidez por conseguir conversos, temo que ultimamente pese sobre nós a culpa de usar a técnica do vendedor moderno, que geralmente apresenta só as qualidades desejáveis de um produto e ignora o restante. Vamos às pessoas e lhes oferecemos um lar confortável no lado ensolarado da escarpa. Se tão-somente aceitarem a Cristo, Ele lhes dará paz mental, solucionará os seus problemas e seus negócios, protegerá as suas famílias e as manterá felizes o tempo todo. Elas acreditam em nós e vêm, e o primeiro vento frio as envia arrepiadas a algum conselheiro para ver o que está errado; e essa é a última notícia que temos de muitas delas.

Os ensinamentos de Cristo revelam que Ele é realista no melhor sentido da palavra. Em parte nenhuma dos evangelhos encontramos algo que seja visionário ou exageradamente otimista. Ele dizia toda a verdade aos Seus ouvintes e deixava que eles formassem a sua opinião. Ele podia entristecer-se coma retirada de um interessado que não podia enfrentar a verdade; nunca porém corria atrás dele para tentar ganhá-lo mediante róseas promessas. Ele queria o seguissem sabendo o preço, ou, se não, deixava que seguissem os seus próprios caminhos.

Isto é simplesmente dizer que Cristo é honesto. Podemos confiar nEle. Ele sabe que nunca será popular entre os filhos de Adão, e sabe que os Seus seguidores não precisam esperar popularidade. O vento que sopra em Seu rosto será sentido por todos quantos viajam com Ele, e nós não somos intelectualmente honestos quando procuramos ocultar-lhes esse fato.

Oferecendo aos nossos ouvintes um evangelho doce e leve, e prometendo a todo aquele que o recebe um lugar na encosta ensolarada da colina, não apenas os enganamos cruelmente, mas também garantimos alto índice de acidentes entre os conversos obtidos mediante essas condições. Em certos campos estrangeiros foi cunhada a expressão "cristãos com arroz" para descrever os que adotam o cristianismo por algum lucro. O missionário experimentado sabe que o converso que tem de pagar algo preço por sua fé em Cristo é que perseverará até o fim. Ele começa já com o vento a soprar-lhes no rosto, e se a tempestade ficar mais forte, ele não retrocederá, porquanto foi preparado para suportá-la.

Abaixando o preço do discipulado, estamos produzindo cristãos do arroz às dezenas de milhares, precisamente aqui, no continente americano. Os que lembram dos tempos passados, lembrar-se-ão da explosão do comércio de terras na Flórida há alguns anos, quando alguns inescrupulosos corretores de imóveis ficaram ricos vendendo grandes extensões de pântanos cheios de jacarés a preços fantásticos a nortistas ingênuos. Agora mesmo há uma explosão no setor dos bens religiosos, na encosta ensolarada da colina. Milhares estão investindo e uns poucos empresários estão ficando ricos; mas quando o público descobrir o que comprou, alguns desses empresários terão de abandonar o negócio. E isso pode não acontecer tão cedo.

O que terá Cristo para oferecer-nos, que seja seguro, genuíno e desejável? Ele oferece perdão dos pecados, purificação interior, paz com Deus, a vida eterna, o dom do Espírito Santo, vitória sobre a tentação, a ressurreição dos mortos, um corpo glorificado, a imortalidade e um lugar de moradia na casa do Senhor para sempre. Estes são alguns dos benefícios que nos vêm como resultado da fé em Cristo e da entrega total a Ele. Acrescentamos a estes as maravilhas ascensionais e as crescentes glórias que virão a ser nossas através das imensas extensões da eternidade, e teremos uma imperfeita ideia do que Paulo denominou "insondáveis riquezas de Cristo" ( Ef, 3:8).

Aceitar o chamamento de Cristo muda de fato o pecador que a Ele se entrega, mas não muda o mundo. O vento continua soprando em direção ao inferno, e o homem que caminhar na direção oposta terá o vento batendo no rosto. E é melhor levarmos isto em conta quando ponderarmos as realidades espirituais. Se as insondáveis riquezas não merecem que por elas soframos, é bom saber disso agora e parar de brincar de religião.

Quando o rico e jovem governante soube do preço do discipulado, retirou-se triste. Não pôde renunciar à encosta ensolarada da colina. Mas, graças sejam dadas a Deus, em cada época existem alguns que se negam a retroceder. O Livro de Atos dos Apóstolos é a história de homens e mulheres que expunham o rosto ao rijo vento da perseguição e do prejuízo, e seguiam o Cordeiro aonde quer que Ele fosse. Sabiam que o mundo odiou a Cristo sem motivo, e os odiava por causa d'Ele; mas pela glória que lhes foi proposta, continuaram resolutos pelo caminho.

Talvez se possa reduzir a coisa toda a uma simples questão de fé e incredulidade. A fé vê de longe a vitória de Cristo e se dispõe a suportar toda e qualquer dificuldade para participar dela. A incredulidade não está segura de coisa alguma, exceto que odeia o vento e aprecia a encosta ensolarada da colina. Cada pessoa terá de decidir-se sozinha, se poderá arcar ou não com o terrível fausto da incredulidade.

Os Milagres Seguem o Arado! Por A.W. Tozer


"Arai o campo virgem porque é tempo de buscar ao Senhor, até que ele venha e chova a justiça sobre vós" (Os 10:12)

Vemos aqui dois tipos de solo: o solo duro ou virgem e aquele que foi amaciado pelo arado.
 
O solo duro é convencido, complacente, protegido dos golpes do arado e da agitação pela grade. Um campo assim, abandonado ano após ano, acaba tornando-se a habitação do corvo e do gaio. Se tivesse inteligência, poderia ter em alta conta a sua reputação; possui estabilidade; a natureza adotou-o; pode ser tomado como certo que continuará sempre o mesmo, enquanto os campos que o rodeiam mudam de marrom para verde e de verde para marrom de novo. Seguro e tranquilo, ele se espalha preguiçosamente ao sol, um verdadeiro retrato da satisfação sonolenta. Mas o preço que paga pela sua tranquilidade é terrível: pois ele não vê o milagre do crescimento; não sente os movimentos da vida crescendo, nem aprecia os prodígios da semente brotando, ou a beleza do grão que amadurece. Jamais pode conhecer fruto porque teme o arado e a grade.

Em oposição direta a isto, o campo cultivado entregou-se à aventura de viver. A cerca protetora abriu-se para dar entrada ao arado, e este veio como todos eles vêm, prático, cruel, apressado. A paz foi quebrada pelos gritos do fazendeiro e o ruído das máquinas. O campo sentiu o labor da mudança: foi perturbado, revolvido, ferido e quebrado, mas suas recompensas valem o sofrimento a que se submeteu. A semente manifesta à luz do dia seu milagre de vida, curiosa, explorando o mundo à sua volta. Em todo o campo a mão de Deus está operando no serviço da criação, velho como o tempo e sempre renovado. Novas coisas nascem, crescem, amadurecem e realizam a grande profecia latente no grão quando foi colocado no solo. Os prodígios da natureza seguem o arado.

Há também duas espécies de vida: a dura e a arada. Para obter exemplos de uma vida endurecida, não precisamos ir longe. Existem muitas ao nosso redor.

O homem de vida endurecida está contente consigo mesmo e com o fruto que produziu no passado. Não quer que o incomodem. Sorri com superioridade quando houve falar de reavivamentos, jejuns, autoanálises, e todas as tarefas ligadas à produção de frutos e à angústia do crescimento. O espírito de aventura morreu nele. É estável, "fiel", sempre em seu lugar costumeiro (como o velho campo), conservador e uma espécie de marco na pequena congregação. Mas é estéril. A maldição de uma vida assim é o fato de ser fixa, tanto em tamanho como em conteúdo. Ser tomou o lugar de tornar-se. O pior que pode ser dito de tal indivíduo é que é o que irá ser. Ele encerrou-se entre quatro paredes e, através desse mesmo ato, deixou Deus do lado de fora e também o milagre.

A vida arada é aquela que, no ato do arrependimento, derrubou as cercas protetoras e enviou o arado da confissão à alma. O estímulo do Espírito, a pressão das circunstâncias e a angústia por uma vida sem frutos, combinaram-se para humilhar o coração. Uma vida assim abaixou as suas defesas, e abandonou a segurança da morte pelo perigo da vida. O descontentamento, a ansiedade, a contrição, a obediência corajosa à vontade de Deus: feriram e quebraram o solo até que esteja novamente preparado para a sementeira. E, como sempre, o fruto segue o arado. A vida e o crescimento começam à medida que Deus faz "chover justiça". Uma pessoa assim pode testemunhar: "... e a mão do Senhor estava sobre mim".

Em correspondência a esses dois tipos de vida, a história religiosa mostra duas fases, a dinâmica e a estática.

Os períodos dinâmicos foram aqueles heroicos em que o povo de Deus atendia ao chamado do Senhor e saía para levar ousadamente seu testemunho ao mundo. Eles trocaram a segurança da inação pelos riscos do progresso inspirado por Deus. O poder de Deus seguia-se invariavelmente a tais atos. O milagre de Deus acompanhava seu povo aonde quer que ele fosse; parava quando seu povo parava.

Os períodos estáticos foram aqueles em que o povo de Deus se cansava de lutar e buscava uma vida de paz e segurança. Eles então se ocupavam tentando conservar os bens obtidos naqueles tempos mais ousados em que o poder de Deus se movia entre o povo.

A história bíblica está repleta de exemplos. Abraão "partiu" em sua grande aventura de fé, e Deus o acompanhou. Revelações, teofanias, a dádiva da Palestina, alianças e promessas de ricas bênçãos foram o resultado. Israel seguiu então para o Egito, e os prodígios cessaram durante quatrocentos anos. No final desse período, Moisés ouviu o chamado de Deus e adiantou-se para enfrentar o opressor. Uma torrente de poder acompanhou esse desafio e Israel logo se pôs em marcha. Enquanto ousou marchar, Deus enviou seus milagres a fim de abrir-lhe o caminho. Toda vez que a nação parava como um campo endurecido, Ele retirava sua bênção e aguardava que se levantasse de novo e pedisse pelo seu poder.

A. W. TOZER

quarta-feira, 19 de julho de 2017

PRECISA-SE DE HOMENS!

Precisa-se de homens que...

• Não decidirão compelidos pelo medo!
• Nada farão simplesmente para agradar!
• Não aceitarão serviço algum por razões financeiras!
• Não realizarão  nenhum ato religioso por ser um hábito!
• Não se deixarão influenciar pelo amor à publicidade (aceitação), isto é, pelo desejo de serem "politicamente corretos".

A verdadeira igreja nunca sonda quais são as expectativas das pessoas em geral, MAS seus líderes OUVEM A VOZ DE DEUS e vão em frente, quer tenham apoio ou não! Agem por saber que é a vontade de Deus, e os que com ela estão, a seguem, as vezes para o triunfo, mas com frequência para o recebimento de insultos e perseguição pública, sendo a sua única recompensa a satisfação de estarem fazendo o certo num mundo errado.

Verdadeiros homens de Deus não têm nenhuma ambição egoísta e mundana a perseguir, e nenhum inimigo a temer! Se as pessoas o seguirem muito bem, se não , nada tem a perder. Mas sendo aceitos ou rejeitados, continuarão a amar o seu povo com uma sincera devoção, e apenas a morte poderá silenciar a terna intercessão que fazem por eles.

A grande verdade é que para que o VERDADEIRO CRISTIANISMO permaneça vivo, precisará de homens do tipo certo, tais da estirpe dos profetas e dos mártires,  que serão colaboradores de Cristo e instrumentos nas mãos do Espírito Santo, a ponto de tornarem-se avivalistas, profetas, e reformadores corajosos que tornar-se-ão bênçãos para uma humanidade perdida e caída em pecado.

Você se candidata?

Por José Moglia, baseado na obra de A.W. Tozer, "Este mundo: lugar de lazer ou campo de batalha".

#José Moglia