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Divórcio e Novo Casamento - John Piper

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

É melhor para as mães que elas permaneçam em casa?



Eu era uma escritora e diretora executiva em uma agência de publicidade quando decidi deixar minha profissão para permanecer em casa e criar meus filhos. Eu queria ser aquela que cuidaria e treinaria os nossos filhos, e meu trabalho frenético simplesmente não me dava tempo suficiente para fazê-lo bem.

Por um lado, quando deixei o mundo dos negócios, nunca olhei para trás. Eu amava estar com meus filhos, e comecei a encontrar saídas criativas dentro de casa e ao seu redor. Aprofundei minha vida de oração. Certamente houve recompensas. Mas por outro lado, deixar o meu trabalho foi muito difícil. Sinceramente, eu realmente lutei por minha identidade.

Trabalhei na publicidade por dois anos antes de sair com dois colegas para iniciar uma nova agência. Eu tinha 25 anos. Naquele mesmo ano, tornei-me uma cristã nascida de novo. Que jornada emocionante! Nós trabalhávamos dez ou doze horas por dia e experimentávamos algum sucesso. Muitos novos negócios estavam surgindo para nós. As associações de publicidade estavam observando e elogiando o nosso trabalho. Subitamente, estávamos ganhando clientes de outras cidades. Eu até tive um cliente em outro país.

Eu era uma mulher tendo sucesso em um mundo “de homens”. Eu verdadeiramente estava “vivendo o sonho”. Eu amava Jesus e era uma cristã, mas a minha identidade primária era ser uma “profissional de sucesso”. Meu trabalho era a principal fonte de meu senso pessoal de afirmação e de realização. Eu poderia exercer o controle, ver os resultados de modo regular e ser recompensada por isso, tanto com reconhecimento quanto com compensação.

Menos do que o meu melhor

Alguns anos depois, casei-me com um homem maravilhoso (que era um de meus sócios de negócios!), e em pouco tempo tivemos um filho. Eu tentei trabalhar em tempo parcial e ficava (como sei que muitas mulheres ficam) arrasada e culpada a maior parte do tempo. Sentia como se eu tivesse dando menos do que o meu melhor nos dois lugares.

Depois, outro filho nasceu. Não fiquei uma semana no trabalho em tempo parcial. Ainda que a nossa renda tenha diminuído e o orçamento restrito tenha se tornado uma realidade, decidi ficar em casa permanentemente. Além de perder uma renda, meu marido e eu também nos sentimos chamados a começar a doar 10% do que ganhamos para a igreja. Embora tenhamos permanecido em uma casa pequena com um tapete velho e tenhamos sacrificado muitas “coisas agradáveis”, pela graça de Deus, nunca ficamos sem dinheiro.

“Sou apenas uma mãe”

Eu amava tanto estar em casa. Amava ser a cuidadora principal dos meus bebês. Amava testemunhar o que eles faziam “pela primeira vez”. Amava o vínculo acontecendo com os meus meninos. Amava compartilhar Jesus com nossos filhos e ensiná-los a amá-lo. Amava ser capaz de conhecer algumas mães no bairro. Amava a oportunidade de costurar um pouco e aprender a cozinhar.

Contudo, também havia coisas que eu não amava. Não entendia como sempre nada estava terminado. No trabalho, eu terminava os projetos. Em casa, podia trabalhar o dia inteiro, e no fim não havia absolutamente nenhuma evidência de que eu tivesse feito qualquer coisa. Sempre havia mais roupa a lavar, outra bagunça na sala de estar, outra refeição a terminar, outra fralda para trocar. No trabalho, eu podia dizer quando estava fazendo um bom trabalho. Em casa, eu tinha dificuldades em ter confiança em minhas habilidades. Eu estava ensinando os meus filhos, mas as mudanças eram tão progressivas que não conseguia dizer se qualquer coisa que estava lhes ensinando estava tendo proveito. O investimento do meu tempo e energia realmente estavam fazendo a diferença?

Mas era pior do que isso. Em casa, muitas vezes parecia que ninguém observava ou aplaudia qualquer coisa que fazia. No trabalho, eu havia sido uma jovem profissional brilhante que ajudava as pessoas a serem bem-sucedidas e as empresas a crescerem. Eu tinha um portfólio! Estava tendo sucesso! Eu era importante! Agora, eu era aquela pobre mulher que você vê no mercado e que obviamente não teve tempo para tomar um banho ou arrumar o seu cabelo, vestida com roupas amarrotadas, parecendo exausta enquanto nega mais um doce ao seu filhinho.

Se eu fosse a um evento profissional com meu marido e alguém me perguntasse o que eu fazia, me retraía e dizia: “Sou apenas uma mãe”.

Trabalho que permanece

Muitos anos mais tarde me envergonhei ao perceber o quanto valorizava a realização centrada no homem e nos aplausos. Eu era uma cristã sincera com um relacionamento crescente com Jesus, estava ensinando com alegria aos meus filhos sobre ele, mas ainda não tinha aprendido a encontrar o meu valor e dignidade nele. E eu ainda não tinha aprendido que coisas têm valor eterno, e que coisas logo serão esquecidas.

Se eu mostrasse algum trabalho “espetacular” que fiz em meus dias no mundo dos negócios, ele estaria desesperadamente desatualizado e seria irrelevante hoje. Por outro lado, quando olho para os meus filhos, Deus me mostra evidências e recompensas inestimáveis pelos sacrifícios e investimentos que fiz em seus anos de crescimento.

É claro que não estou dizendo que é ruim trabalhar no mundo dos negócios ou em qualquer trabalho. Longe disso! Trabalhos de todos os tipos são o meio maravilhoso de Deus prover para pessoas em todo o mundo. E Deus chama muitas mulheres para trabalharem fora da casa, mesmo aquelas que têm filhos pequenos.

Provérbios 31 exalta uma mulher que equilibra de forma devida os interesses dos negócios fora de casa enquanto oferece cuidados e instrução à sua família. (Gostaria de ressaltar, no entanto, que mesmo para ela, não parece haver muito tempo para dormir!) O trabalho em si não é ruim, ainda que a maior parte dele vai passar.

O valor de uma mãe

O problema para mim foi quando meu trabalho se tornou a minha identidade; quando meu trabalho era a fonte de minha “auto-estima” e fazia eu me sentir mais “importante”; quando meu trabalho parecia mais digno porque tinha um cotidiano mais interessante; quando meu trabalho era necessário para aprovação, louvor e aplausos.

Deus me diz que me amou e me escolheu para ser sua filha antes da fundação do mundo, quer eu trabalhe em casa ou em Wall Street (Efésios 1.3-4). Ele diz que, embora eu evidentemente seja uma pecadora rebelde contra um Deus santo (Romanos 3.23), pelo sacrifício de Jesus, eu sou perdoada, comprada e redimida — não importa se sou uma barista ou estou em casa trocando fraldas (Efésios 1.7-8; Romanos 5.8; 1 Coríntios 7.23). Como uma filha de Deus nascida de novo, eu sou uma herdeira de todas as coisas com Cristo, quer eu supervisione uma equipe de cem pessoas ou um lar de três (Romanos 8.14-17; Hebreus 1.2). À luz de tudo isso, eu era irracional ao buscar aplausos terrenos para me sentir valorizada e digna.

Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente. (1 João 2.15-17).

É melhor permanecer em casa?

É melhor para as mães que elas permaneçam em casa? Eu não pretendo ter a resposta definitiva a essa pergunta, ou conhecer a vontade de Deus para outras mulheres. Mas, eu incentivo as jovens mães a considerarem as suas razões para desejar trabalhar fora de casa. Se a sua renda é necessária para colocar comida na mesa e roupas nos membros de sua família, é possível que você precise trabalhar fora de casa.

Meu coração se quebranta por mães que dariam qualquer coisa para poderem estar em casa com seus filhos, mas circunstâncias de todos os tipos as mantêm no local de trabalho. Se esta é você, saiba que Deus conhece o seu coração, que ele a chamou para a obra que ele está lhe dando, e que ele abençoará a sua família, assim como você é obediente a ele nestas coisas difíceis. Pode haver outras razões legítimas pelas quais Deus está, sincera e certamente, chamando você para fazer o sacrifício de trabalhar fora de casa. O mais importante é buscá-lo e ser obediente ao chamado que ele está lhe dando.

Mas se você está trabalhando fora de casa principalmente porque isso faz você se sentir bem consigo mesma, ou porque você realmente gosta disso, ou porque o trabalho parece mais interessante, talvez você precise orar sobre se este realmente é o chamado de Deus em sua vida, ou se interesses egoístas estão guiando as suas decisões.

Permaneça e faça discípulos

Ao longo dos anos, aprendi que minha vida em casa não precisava ser tediosa. Passei a perceber que as coisas que eu estava fazendo eram de importância eterna, e que fazê-las bem fazia a diferença. Deus tratou o imenso orgulho do meu coração e usou o meu tempo em casa com os meus filhos para começar a cultivar o fruto do Espírito em mim. O melhor de tudo, no decorrer desses anos, Jesus se tornou o meu maior tesouro.

Jesus nos disse para fazermos discípulos, e criar filhos é a maior oportunidade que temos de obedecer a esse mandamento. Enquanto recordo minha vida como uma mãe em casa, eu sei que nunca me arrependerei dos momentos que passei cuidando, ensinando e brincando com os meus filhos. Foi um verdadeiro privilégio ter um papel central no discipulado de meus filhos em cada fase do desenvolvimento deles. Eu sou muito grata a Deus por ter feito isso possível para mim e para a nossa família.

Por: Adrien Segal. © Desiring God. Website: desiringgod.org . Traduzido com permissão. Fonte:

Original: É melhor para as mães que elas permaneçam em casa?. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Camila Rebeca Teixeira. Revisão: Renata M Gandolfo.


 https://voltemosaoevangelho.com/blog/2017/06/e-melhor-para-as-maes-que-elas-permanecam-em-casa/

Você tem receio de falar sobre o inferno?


RESUMO: Muitos cristãos hesitam em falar sobre o inferno, especialmente ao evangelizar, mas a Bíblia não trata o juízo como um tema opcional. Este artigo mostra que omitir as advertências de Deus enfraquece nossa compreensão da santidade divina, da gravidade do pecado e do custo do sacrifício de Cristo. A partir de textos bíblicos, o conteúdo apresenta quatro realidades essenciais: o inferno é eterno, envolve sofrimento indescritível, é merecido e perfeitamente justo, e ainda assim é possível escapar dele por meio de Jesus. Conclui defendendo que amor verdadeiro não suaviza a verdade, mas a comunica com coragem e compaixão. Leia mais sobre isso com essa relevante autora, Adrien Segal, que trabalha como coordenadora de discipulado feminino no Bethlehem College and Seminary e escreve regularmente para o ministério Desiring God.


Confesso que hesito em falar sobre o inferno. Só me dei conta disso quando outra mulher me perguntou se as mulheres parecem relutantes em mencionar o inferno, talvez até mesmo, e principalmente, quando estamos falando com descrentes. Minha primeira reação foi pensar: “Que tal falarmos de outro assunto?”. A ironia não me passou despercebida.

Fácil (e perigoso) de ignorar

Embora eu nunca tenha visto dados sobre o assunto, consigo entender por que pode ser mais difícil para as mulheres alertarem as pessoas sobre o inferno. Em geral, a natureza feminina tende a nutrir, encorajar e demonstrar bondade. É provavelmente verdade que a maioria das mulheres prefere agir com cautela, tentando evitar ofensas. Se houver más notícias, muitas de nós preferiríamos que outra pessoa as transmitisse.

Afinal, não queremos que as pessoas recebam a graça salvadora de Jesus principalmente por medo de punição ou condenação. Em vez disso, queremos que elas reconheçam sua própria pecaminosidade, percebam sua necessidade desesperada de um Salvador e abracem Jesus com entusiasmo como aquele que morreu para resgatá-las. A verdadeira fé em Jesus garante uma eternidade com Ele — uma eternidade repleta de alegria! Não é tudo o que um incrédulo precisa ouvir?

É claro que esses aspectos do Evangelho estão entre os melhores e mais importantes. Mas ainda são apenas parte da história. Se compartilharmos apenas a parte “boa” das boas novas, sem nunca levar a sério as advertências de Deus sobre o julgamento, corremos o risco real de que aqueles que amamos não compreendam verdadeiramente a santidade de Deus, a justiça de sua ira e por que nosso perdão exigiu o sacrifício do Filho de Deus. Sem o inferno na equação, não podemos compreender plenamente o verdadeiro peso de nossa depravação e suas consequências. Quando diminuímos esse peso, diminuímos a magnitude do sacrifício de Jesus — e, portanto, diminuímos a glória que ele merece por ter dado a sua vida.

Quer falemos sobre isso ou não, o inferno é real porque a ira de Deus é real (e justa). Há muitas referências bíblicas que poderíamos citar: todos os autores do Novo Testamento falam sobre o inferno, e o próprio Jesus adverte sobre ele mais do que qualquer outra pessoa na Bíblia. Não podemos analisá-las todas, mas John Piper destaca alguns trechos em que Jesus, Paulo e João são claros sobre a realidade e a natureza do inferno. Portanto, para todas as mulheres (como eu) que desejam crescer em sua compreensão, ousadia e amor por Deus e pelo próximo, considerem estas quatro realidades básicas sobre o inferno.

1. O inferno é eterno.

Em Marcos 9.43, Jesus descreve o inferno como um “fogo inextinguível”. Ou seja, ele jamais se apagará; não há alívio — para sempre. Em Marcos 3.29, Jesus se refere à blasfêmia contra o Espírito Santo como “um pecado eterno”. Não é algo que se comete apenas uma vez; as consequências são intermináveis. Em Mateus 25.46, ao falar sobre a separação entre ovelhas e bodes, Jesus diz: “Estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna ”. O paralelo é inegável.

2. O inferno é caracterizado por uma dor indescritível.

Jesus fala sobre lançar os pecadores e os transgressores da lei “na fornalha ardente” (Mateus 13.41-42) e “nas trevas exteriores” (Mateus 8.12), onde serão “cortados em pedaços” (Mateus 24.51). Esses exemplos resultam em “choro e ranger de dentes”. O amoroso apóstolo João se refere àqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida como sendo lançados no fogo, onde “serão atormentados dia e noite para todo o sempre” (Apocalipse 20.10, 15; 14.10-11).

3. O inferno é merecido e perfeitamente justo.

Somos responsáveis ​​pela maneira como consideramos nosso Deus santo, justo e amoroso — bem como pelas implicações disso. Nossa indiferença e rebeldia acumulam a Sua justa ira: “Por causa da dureza e impenitente determinação do seu coração, você está acumulando ira contra si mesmo para o dia da ira, quando o justo julgamento de Deus será revelado” (Romanos 2.5). Cada vez que escolhemos nosso próprio caminho contra Deus, atraímos a Sua ira. E, como os santos e anjos mostram no livro do Apocalipse, aqueles que compreendem a ira de Deus com mais clareza não podem deixar de chamá-la de justa (Apocalipse 15.3; 16.5, 7; 19.2).

4. É possível escapar do inferno.

Quando compreendemos que nossa natureza pecaminosa se opõe à beleza e à glória do nosso Deus trino, que nossos espíritos, de forma mais natural e egoísta, rejeitam sua perfeita sabedoria e autoridade — quando compreendemos isso e nos entristecemos profundamente por tal fato — então começamos a entender por que a ira de Deus e o castigo do inferno são justos. Então, realmente apreciamos a maravilhosa magnitude do sacrifício de Jesus, pagando o preço pela nossa resistência ao mal. Parte essencial da boa notícia é que podemos escapar do inferno se abraçarmos Jesus. Uma eternidade de alegria com Deus é a nossa recompensa prometida quando o fazemos. “Boa notícia” parece um eufemismo!

O amor revela toda a verdade

Se nós, mulheres, realmente amamos nossas famílias, nossos amigos e nossos vizinhos, não hesitaremos em dizer toda a verdade. É uma demonstração de bondade dizer aos outros que recusar-se a aceitar Jesus acarreta consequências terríveis e eternas.

Imagine que você está fazendo uma trilha nas Montanhas Great Smoky e se depara com uma ursa furiosa. Enquanto foge rapidamente, você encontra outras pessoas indo na mesma direção. Você não tentaria fazê-las voltar apenas comentando sobre a beleza da paisagem abaixo; você deixaria claro o perigo mortal que as aguarda. Quanto mais se esses viajantes estivessem indo para uma dor e um sofrimento indescritíveis e eternos?

Nosso Deus santo é justo, e até mesmo amoroso, ao lançar o julgamento mais severo sobre aqueles que o rejeitam e se opõem ao seu povo amado. Ele nos criou da abundância do seu amor porque desejava compartilhar conosco a maravilha de quem Ele é por toda a eternidade. Sua santa ira guarda suas perfeições para sempre, para que Ele — e todos aqueles que o amam e o acolhem — possam desfrutar de seus prazeres para sempre (Salmo 16.11).

Queridas mulheres, se realmente desejamos nutrir, encorajar e demonstrar bondade como Deus nos criou para fazer, teremos a coragem de dizer aos outros toda a verdade. Quando ajudamos os outros a compreender a profundidade de sua depravação, a maravilhosa notícia da graça salvadora disponível por meio de Jesus e a alternativa para aqueles que o rejeitam, seremos fiéis, amorosas e verdadeiras seguidoras de Jesus. Não é isso que mais desejamos?

 

Para ver mais conteúdos do Desiring God traduzidos em nosso blog, (https://voltemosaoevangelho.com/blog/2026/02/voce-tem-receio-de-falar-sobre-o-inferno/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_term=Tue+03+Feb+2026&utm_campaign=Voc%C3%AA+tem+receio+de+falar+sobre+o+inferno+)

Por: Adrien Segal ©️ Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: Are You Hesitant to Talk About Hell? | Todos os direitos reservados. Revisão e edição: Vinicius Lima.

Nós o chamamos de Pai (Lucas 11.2)

Nós o chamamos de Pai (Lucas 11.2)

Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome. (Lucas 11.2)

 

No momento em que uma criança é adotada, sua vida inteira muda: ela recebe um novo nome, uma nova família e, com frequência, um estilo de vida completamente novo. Contudo, a realidade legal pode existir sem que a criança sinta uma sensação verdadeira de pertencer a essa família. Uma coisa é uma criança ir e viver em uma casa; outra é a realidade mais profunda de experimentar e expressar completamente a união de uma família — de chamar os novos pais de “mamãe” e “papai”.

O mesmo é verdade sobre nossa adoção espiritual quando professamos fé em Jesus Cristo. Nossa adoção muda nossa condição de maneira completa, eterna e incontestável. Mas Deus não está satisfeito com uma simples mudança de nome, por assim dizer. Ele quer que saibamos o que significa sermos seus filhos e filhas. Ele anseia que nós tenhamos o espanto experiencial de pensarmos nele como nosso Pai celestial. Para isso, ele nos dá seu Espírito para moldar nosso caráter e nos ajudar a enxergar nosso relacionamento com ele como o de Pai e filho. “Porque vós sois filhos”, Paulo disse à igreja da Galácia, “enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gl 4.6).

A experiência cristã não deveria ser simplesmente como uma transação legal. Ela é muito mais que um dogma ou doutrina. A salvação não é apenas o perdão dos pecados; também é o acolhimento da transformação capacitada pelo Espírito. O cristianismo não é mecânico, mas relacional. O que Jesus realizou de forma objetiva e legal na cruz, a isto o Espírito dá continuidade de modo subjetivo e vívido em nosso coração. Fomos resgatados, aceitos e amados. Com essa mudança, podemos esperar devoção, paixão, lágrimas, iluminação, envolvimento e, enfim, louvor.

Quando somos tentados a nos esquecermos de nossa nova condição como filhos de Deus, o Espírito está a postos para testificar: Não, você é verdadeiramente dele! Você foi comprado pelo mais alto preço. Você é amado e estimado. Quando não fizemos o que Deus queria que fizéssemos e quando nos sentimos machucados, quebrados e desencorajados, o Espírito nos ajuda a clamar: “Ó Pai, Pai, você poderia me ajudar, por favor?” Tais pedidos deveriam nos servir como lembretes da maravilha da obra consumada de Jesus — seu sacrifício redentor e o envio do Espírito para viver em nosso coração. Sem isso, não haveria relacionamento com Deus, a não ser dele como nosso Criador e Juiz; portanto, não haveria oportunidade alguma para nosso coração clamar: “Aba! Pai!”

Deus não sela nossa adoção como filhos com algum sinal peculiar ou dom, mas pelo testemunho persuasivo do seu Espírito. Ao falarmos com ele em oração, ouvirmos dele através de sua Palavra e andarmos com ele, crescemos em conhecimento do seu poder e de sua obra dentro de nós. Visto que fomos libertos da maldição do pecado e recebemos a bênção da adoção, podemos clamar a Deus como nosso Pai, adorando-o e louvando-o em espírito e em verdade.

Cristão, hoje, independentemente de qualquer outra coisa que seja verdade sobre você, aqui está a maior realidade: você é um filho adotivo de Deus. Nada nem ninguém pode mudar isso. Então, hoje, seja o que for que você esteja sentindo, que essa verdade seja o que mais lhe traz consolo, fundamento, tranquilidade e motivação: você é um filho de Deus.

 

Aprofunde sua devoção a Deus em fiel.in/devocional

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Se você está se sentindo sobrecarregada, saiba que não está sozinha

 


Estou sobrecarregada. Reviro os olhos para a frase mais popular da minha vida, rabiscada em cadernos espirais, escrita com tinta em letras maiúsculas. O título do meu diário de orações desde que entrei na adolescência poderia ser algo como “Obviamente sobrecarregada” ou “Lá vamos nós de novo: sobrecarregada em todas as estações”. Sou uma jukebox com uma única música.

Hoje não foi diferente. Depois de limpar uma casa emprestada e comprar roupas emprestadas que não cabiam em nosso baú emprestado, nossa família de oito pessoas dirigiu até nossa quarta casa missionária em apenas alguns meses. Sentei-me no banco do passageiro, empoleirada em uma pilha de livros escolares, com as pernas encolhidas em posição fetal, tentando não esmagar as caixas de cereal matinal pela metade aos meus pés. Franzi a testa para os sacos volumosos de panelas antiaderentes e roupas sob meus cotovelos. Parecíamos tão desabrigados quanto eu me sentia. Meu marido percebeu meu olhar vazio e familiar e me assegurou: “Estamos indo bem”.

“Estou sobrecarregada” veste camisas diferentes, mas todos nós temos uma. Quando a vida é um labirinto, ou quando nos sentimos submersos, incapazes de tocar o fundo, como reagimos? Aguentamos silenciosamente o ataque de pânico? Escondemo-nos da vida através do sono? Corremos obsessivamente, esfregamos a nossa casa como se tivesse passado pela Peste Negra, ou compramos coisas de que ninguém precisa?

Como pessoas pecadoras em um mundo dolorido e em ruínas, muitas vezes ficamos de olhos arregalados e aterrorizados. Estamos pecando quando nos sentimos sobrecarregados? Onde está Deus quando, depois de muitos anos, nossos diários de oração são como sinais de SOS cavados nas areias de mil ilhas desertas? O que podemos esperar à medida que crescemos em Cristo?

Histórias dos Grandes Sobrecarregados

Algumas pessoas são obcecadas por culinária francesa, outras por cartas Pokémon. Deus tem uma afinidade aparente por pessoas em crise, homens e mulheres à beira do desespero. Ele se sente atraído pelos fracos e exaustos. Ninguém torce pelos oprimidos como o nosso Pai. As Escrituras estão repletas de histórias de Deus intervindo em seu povo no auge de seu desespero.

O servo de Eliseu

Em meio à multidão de inimigos que os cercava na batalha, o servo de Eliseu clama: “Ai de mim, meu senhor! O que faremos?” (2Rs 6.15). Eliseu intercede por seu servo, e Deus concede ao jovem óculos celestiais para que ele possa ver cavalos invisíveis e carros de fogo.

Deus pode usar as orações de um santo experiente para agir em nosso favor, ampliando nossa visão espiritual e nossa coragem na batalha. Nem sempre enxergamos com clareza em meio ao caos e às ameaças crescentes. O medo pretende nos cegar. Deus pretende justamente o oposto: Ele nos dá visão de uma maneira inesperada. Há mais em nossas situações avassaladoras do que os olhos podem ver.

Elias

Sobrecarregado pela montanha-russa do ministério, Elias pede para morrer. Tendo acabado de celebrar a vitória de Deus sobre Baal, ele agora foge para salvar a própria vida. Elias suplica no deserto: “Basta! Agora, Senhor, tira a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” ( 1 Reis 19:4 ). Não uma, mas duas vezes, Elias adormece (como acontece com pessoas sobrecarregadas), e Deus o desperta em ambas as ocasiões com um almoço, em vez de sermões ou repreensões — bolos assados ​​em pedras quentes e um jarro de água.

Como uma mãe atenciosa, Deus cuida do clamor do nosso corpo físico por sono, nutrientes, oxigênio e luz solar. Ele pode usar uma caminhada por um bosque verdejante ou aquela fatia deliciosa de torta de pêssego para nos lembrar do prazer paternal que Ele tem em nutrir nossa constituição frágil.

Marta

Incomodada com a presença de sua irmã, Maria, sentada e desfrutando da companhia de Jesus enquanto girava pela sala como um pião, Marta a dedura (Lucas 10.39-40). Jesus poderia ter amenizado a indignação de Marta agradecendo-lhe pela hospedagem, mas não o fez. Jesus enxerga seus fardos com clareza. Ele identifica a ansiedade onde deveria haver fé.

Deus nunca mima nossos ídolos, nem mesmo os mais decentes. Ele quer mais para nós do que nós mesmos. Seu bisturi pode dissecar nossas vidas distraídas e amores fragmentados para nos dar a melhor parte pela qual Maria parou e permaneceu.

Pedro

Abalado por ter negado Cristo três vezes, mesmo tendo jurado defendê-lo até o fim, Pedro chora (Mateus 26.75). Ele pensa que chorará pela eternidade — até que Jesus lhe aparece na praia. Pedro percebe que essa cena de pesca espelha o dia feliz em que Jesus o chamou pela primeira vez, dizendo: “Segue-me” (Lucas 5.1-11). O mundo de Pedro silencia enquanto Jesus o questiona. Três vezes, Jesus pergunta a Pedro se ele o ama, cada pergunta mais incisiva que a anterior, mais penetrante que qualquer isca de pesca para o seu coração (João 21.15-17).

Embora o nosso pecado possa prejudicar a nossa esperança, ele não derrota o Senhor Jesus. Ele deu uma nova missão a Pedro à beira-mar, lembrando-o de quem ele era e do que Deus faria através da sua vida e morte. Jesus pode estar nos chamando para fora da vergonha debilitante, para o serviço e a filiação, dizendo a todos que falharam como Pedro: “Sigam-me”.

Jesus

Dominado pelo cálice do sofrimento pressionado contra seus lábios, Jesus ora com o rosto no pó do Getsêmani. A sujeira do pecado do mundo logo o sufocará. “Estou em agonia”, ele poderia ter confidenciado a seus amigos, se eles não estivessem dormindo profundamente. Seu corpo humano, sob o estresse máximo, dispara alarmes e transpira sangue. O Cordeiro imaculado pede outro caminho, mas jamais duvida que seu Pai saiba o que é melhor. “Não a minha vontade, mas a tua seja feita”, ele chora, aguardando a multidão da meia-noite e o beijo de Judas (Lucas22.42).

Dominado por Ele

O servo de Eliseu, Elias, Marta e Pedro são bons companheiros, mas a forma como Jesus foi subjugado muda tudo. Nosso Senhor foi subjugado até a morte, mas não foi vencido por ela. Isso nos ensina algumas coisas.

Primeiro, se seguirmos os passos de Jesus, não devemos nos surpreender quando, da mesma forma, nos encontrarmos em situação de vulnerabilidade durante a oração, incapazes de cumprir a tarefa que temos pela frente.

Em segundo lugar, não estamos pecando automaticamente quando experimentamos forte pressão e estresse. Assim como Jesus, lamentamos a morte de um amigo (Mateus 14.12-13), precisamos de descanso após provações (Mateus 4.11) e precisamos dizer palavras impopulares a pessoas populares (Mateus 23), tudo isso podendo parecer avassalador.

Em terceiro lugar, se quisermos sobreviver às inúmeras situações avassaladoras que preenchem nossas orações e nossos diários, Deus precisa ser supremamente avassalador para nós. Os problemas temporais querem nos deixar prostrados em desespero. Deus também quer nos humilhar — em submissão humilde e feliz à sua vontade. Quando somos dominados por Deus em vez de nossos problemas, Seu amor inabalável e fidelidade brilharão como um pingente precioso em nossos pescoços (Provérbios 3.3). Caminharemos com uma leve imperfeição, resultado de nossa luta piedosa (Gênesis 32.22-32). Não importa a confusão, olharemos para os montes e declararemos sobre cada circunstância avassaladora: “O meu socorro vem do Senhor” (Salmo 121.1-2). E seremos como o nosso Senhor: o Filho, no Getsêmani, submeteu-se ao Pai quando lhe custou tudo, porque sabia que o Pai era verdadeiramente bom.

Testemunhamos esse fenômeno. Os cegos escrevem hinos que dão visão espiritual a gerações, as viúvas perdoam os assassinos de seus cônjuges, os deficientes demonstram uma resistência especial e os feridos aconselham outros a partir de uma rica fonte de consolo celestial. As águas avassaladoras não arrastam os que são subjugados por Deus. As ondas são ameaçadoras, mas a atenção desses santos está voltada para outro lugar, como costuma acontecer com os amantes predestinados ao infortúnio. Cristo os submerge em glória e os faz permanecer firmes.

 

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