Permanecendo em Cristo somente (Parte1/2)
Barbara R. Duguid 25 de Janeiro de 2018 - FamíliaO texto abaixo foi extraído do livro Graça Extravagante, de Barbara Duguid, da Editora Fiel.
Embora possamos cair por nós mesmos, não podemos levantar-nos sem a ajuda dele. — John Newton
Acho que a maioria dos cristãos
acredita, corretamente, que toda a nossa força para seguir na vida
cristã precisa vir de Cristo. Entretanto, podemos querer dizer coisas
diferentes quando falamos isso. Alguns acreditam que o Espírito Santo,
que passa a habitar em nós no momento da salvação, também nos capacita
constantemente a sermos obedientes. Em outras palavras, a graça recebida
na conversão inclui uma força permanente para escolhermos obedecer a
Deus, sempre que estamos dispostos a fazê-lo. Portanto, a vontade e a
força para permanecermos em obediência vêm de nossa própria diligência e
esforço árduo, enquanto caminhamos pela vida.
John Newton possuía uma visão diferente
sobre a obediência cristã — uma visão que colocava toda a culpa do
pecado no pecador, mas dá todo o crédito pela obediência unicamente a
Deus. Newton uniu a essa ideia o conceito de autoglorificação e
concluiu, acertadamente, que se não houvesse nenhuma jactância humana
diante de Deus pelas boas obras, a santificação teria de ser totalmente
da graça e de penderia completamente de Deus. Longe de colocar a culpa
em Deus por nossos pecados, Newton via a presença permanente de nossa
natureza pecaminosa decaída e a atividade constante de Satanás como
explicação suficiente para nosso contínuo pecado interior. Ele ponderou
também que, se isso for verdade, somente Deus pode obter o crédito
quando seu Espírito se move, em um novo ato da graça, para engajar a
vontade dos crentes, de modo que eles queiram obedecer, e quando,
depois, provê a verdadeira força para seguirem em obediência.
Nisto, John Newton repercute a percepção
das históricas confissões de fé reformadas. Por exemplo, a Confissão de
Westminster diz:
O poder de fazer boas obras não é, de
modo algum, dos próprios fiéis, mas provém inteiramente do Espírito de
Cristo. A fim de que sejam para isso habilitados, é necessário, além da
graça que já receberam, uma influência positiva do mesmo Espírito Santo
para obrar neles o querer e o perfazer segundo o seu beneplácito;
contudo, não devem por isso tornar-se negligentes, como se não fossem
obrigados a cumprir qualquer dever senão quando movidos especialmente
pelo Espírito, mas devem esforçar-se por estimular a graça de Deus que
há neles. - CFW 16.3
De modo semelhante, a Confissão Belga declara:
Então, fazemos boas obras, mas não para
merecermos algo. Pois, que mérito poderíamos ter? Antes, somos devedores
a Deus pelas boas obras que fazemos e não Ele a nós. Pois, “Deus é quem
efetua em” nós “tanto o querer como o realizar, segundo sua boa
vontade” (Filipenses 2:13). Então, levemos a sério o que está escrito:
“Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado,
dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”
(Lucas 17:10).
Assim como Newton, os elaboradores
destas confissões reformadas acreditavam que cada ato específico de
obediência exige uma influência real do Espírito Santo em nosso coração.
A graça que recebemos no momento de nossa salvação não é um tipo de
poder capacitador geral que precisamos descobrir como acessar e ativar
para que possamos crescer e ser abençoados. Pelo contrário, é a presença
pessoal e poderosa do Espírito do Deus vivo, que governa sobre nossa
alma e decide, em cada momento, se nos dará graça para nos fazer querer
obedecer e se dará graça adicional para sermos bem-sucedidos na
obediência.
Esse tipo de cuidado, específico e
minucioso por nós, como indivíduos, não deveria surpreender-nos. Quando
Jesus disse que os fios de cabelo de nossa cabeça estavam contados,
estava se referindo a um tipo de amor vigilante tão compreensível que
nem um único fio de cabelo pode cair de nossa cabeça sem sua permissão
(Mateus 10.30). Então, como é que podemos chegar a imaginar que Deus
deixaria a grande e poderosa função de guiar nosso espírito ao encargo
de pessoas fracas e pecadoras como nós? Certamente, o assunto a respeito
de quais pecados cometeremos ou não é muito mais importante para Deus
do que o número de fios de cabelo que podemos chamar de nossos cada dia.
De modo semelhante, até a morte de um
pequeno e frágil pardal sob as garras de um gato da vizinhança, algo que
dificilmente nos causaria preocupação, é objeto da vontade soberana de
Deus (Mateus 10.29). Quanto mais, então, o Senhor exercerá sua soberania
e cuidado amoroso na santificação de seus filhos? Aqueles que Deus
criou à sua imagem e redimiu com o sangue de seu precioso e único Filho
são muito mais valiosos para ele do que pequenos pardais (Mateus 10.31)!
Outras Escrituras também falam da
atenção pessoal de Deus sendo manifestada em profusão sobre cada um de
nós em cada momento de nossos dias. Ele sabe as palavras que estão em
nossa língua, antes que as falemos (Salmo 139.4); é ele quem decide se
elas sairão ou não de entre nossos lábios. Deus conhece nossos
pensamentos (Salmo 139.2), bem como as características intrínsecas da
nossa carne pecaminosa. Deus está escrevendo a história da redenção do
seu povo, mantendo-o longe de pecados que ele não permite e entregando-o
a peca dos que planejou vencer para sua glória e nosso bem. O que
planejamos para o mal Deus usa para o bem, apesar de nossas piores
intenções.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
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