O texto abaixo foi extraído do livro: O Que Estão Ensinando aos Nossos Filhos, de Solano Portela, da Editora Fiel
A Quem Pertence a Responsabilidade de Educar?
Tendo verificado o conceito de Educação
Escolar Cristã, necessitamos examinar a questão das responsabilidades e
divisão de funções, na difícil tarefa de educar. Essa responsabilidade é
tripla: é dos pais, da escola e dos professores.
A Responsabilidade dos Pais
A Bíblia apresenta a responsabilidade de
educar como uma determinação primordial aos pais. Não existem dúvidas a
este respeito, basta verificarmos as seguintes passagens bíblicas:
• 1 Timóteo 5.8 – “Ora, se alguém não
tem cuidado dos seus e especialmente dos de sua própria casa, tem negado
a fé, e é pior do que o descrente”. Este verso mostra a
responsabilidade dos chefes de família para com os seus, em todos os
aspectos, envolvendo, certamente, a responsabilidade de educar e
instruir os seus filhos.
• Provérbios 22.6 – “Ensina a criança no
caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará
dele”. Este é um versículo certamente dado aos pais. Frequentemente é
interpretado como uma admoestação à instrução religiosa, mas, como já
observamos, a instrução verdadeira não cobre apenas o aspecto
especificamente “religioso”, mas deve abranger o ensino pertinente a
todas as áreas da vida.
• Efésios 6.4 – “E vós, pais,... criai
os [vossos filhos] na disciplina e na admoestação do Senhor”. Isto é,
aprendendo a ver a Deus e a respeitá-lo em todas as áreas de sua vida,
em tudo que possa vir a aprender. Mais uma vez, a responsabilidade da
criação e da instrução é particularizada aos pais.
• Deuteronômio 6.6 e 7 – “Estas
palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás a
teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo
caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te”. Aqui temos o princípio
didático da repetição, para eficácia na assimilação (retratado ainda nos
versículos 8 e 9). Os pais tinham a responsabilidade de educar os
filhos eficazmente no temor do Senhor. No versículo 2 deste trecho,
vemos que o conteúdo a ser ensinado aos filhos, era os mandamentos
detalhados do Senhor, nos quais o relacionamento destes com as tarefas
da vida diária de cada um eram delineados. Assim fazendo, as suas vidas
seriam prolongadas e abençoadas à medida que os Estatutos do Senhor
fossem nelas observados e refletidos nas vidas dos filhos.
• Salmo 78.1 a 4 – Nesta conhecida
passagem, nós vemos a responsabilidade da transmissão das verdades
divinas de pai para filho ordenada por Deus. Todo o Salmo é bem
explícito no que diz respeito ao conteúdo a ser transmitido,
demonstrando que a tarefa dos pais no sentido de educar não diz respeito
somente à comunicação de princípios teológicos, aquilo que comumente
chamamos de “educação religiosa”. No caso aqui apresentado, vemos uma
exposição da mão de Deus na história, efetivando os seus propósitos e
desígnios, em todas as esferas da vida. Este tipo de relacionamento,
próprio da Educação Escolar Cristã, isto é, a apresentação dos fatos
históricos ou científicos como obra de Deus, também está colocado sob a
área de responsabilidade dos pais.
Temos assim explicado este dever
principal dos pais. A negligência nesta determinação divina pode causar o
descaso na execução desta responsabilidade. A criança necessita da
segurança e do amparo oferecido pelo lar e pela família. É ali que o
amor genuíno deve ser experimentado, acompanhando passo a passo a
maturação intelectual das crianças. O amor aliado à formação integral da
criança é um relacionamento humano insubstituível entre pais e filhos.
Nessa tarefa de educar, os pais procuram encorajar, enquanto ensinam;
demonstram o resultado dos esforços de cada criança, definem limites,
obrigações e privilégios, enfatizam o respeito às demais pessoas –
superiores, pares e inferiores, seguindo em todos esses aspectos, com
sabedoria, as abundantes diretrizes bíblicas do relacionamento
interpessoal determinado por e que agrada a Deus. Todos esses aspectos
podem e devem ser emulados pela escola e pelos educadores, sem a
pretensão de substituição da autoridade paternal.
O Papel da Escola
O fato da responsabilidade de educar
pertencer aos pais não significa que estes não possam se organizar para o
cumprimento desta tarefa. A formação de instituições e a busca do
devido auxílio é uma procura legítima. Isto lhes possibilitará não
apenas imprimir o melhor direcionamento, mas também obter o melhor
conteúdo e as formas mais eficazes de transmissão de conhecimentos. Na
realidade, por causa da complexidade da vida moderna e da multiplicação
das disciplinas a serem ministradas, os pais precisam de bastante ajuda e
organização. Antigamente a sociedade agrária, que era mais limitada e
restrita, possibilitava que os pais ensinassem aos filhos as próprias
profissões que haveriam de seguir. Naquela época não era incomum a
existência de várias gerações dedicadas ao mesmo tipo de atividades.
Esta situação já não mais existe; as condições de trabalho e da vida em
sociedade mudaram bastante. Neste contexto a educação escolar cristã
adquire uma importância toda especial, ministrada por uma instituição
alinhada com os propósitos divinos, empregada como uma ferramenta, pelos
pais, na difícil tarefa de educar.
Em um sentido específico, a Escola
Cristã deve ser considerada uma extensão do lar cristão. Ela deve estar
sempre consciente de que a justificativa para a sua existência é o
mandato concedido pelos pais. Os pais e a escola, juntos, trabalham com
um só propósito, que é o de conceder à criança a possibilidade de
atingir a maturidade cultural e espiritual. Isto capacitará as pessoas a
entrarem numa vida de adoração e serviço ao Deus soberano, com
humildade e fé, destacando-se como bons especialistas e cidadãos nas
atividades para as quais demonstraram talentos naturais e nas quais
receberam o melhor treinamento. Neste sentido ela tem de ser devidamente
equipada e contar com o pessoal mais qualificado possível.
O Papel do Professor Cristão
As considerações acima nos trazem até ao professor cristão. O professor, ou a professora:
a. Certamente deve ser uma pessoa que
reúna qualificações profissionais e acadêmicas, de tal forma que possa
ser um testemunho vivo de que aquilo que é de melhor qualidade deve ser
colocado a serviço do Senhor.
b. Deve ser uma pessoa comprometida a
viver uma vida de serviço fiel para Deus, em Cristo, e de dedicação ao
homem por amor a Deus.
c. Deve possuir equilíbrio e integração em todas as áreas de sua personalidade para que possa transmitir segurança aos jovens.
d. Deve estar bem consciente de que a
sua tarefa lhe foi comissionada pelos pais. O professor não é um
substituto destes, nem como centro de afeições, nem como formulador das
diretrizes. Deve se considerar um auxiliador dos pais, tendo como missão
orientar a aquisição de conhecimentos e o treinamento dos talentos
naturais de seus alunos, fortalecendo a família, sob o temor do Senhor.
e. Deverá, por último, conhecer o
significado verdadeiro do que é a Educação Escolar Cristã; os seus
preceitos e as suas bases, devendo formular os seus ensinamentos dentro
da estrutura que definimos nas páginas precedentes.
Poderíamos dizer, na realidade, que o
professor cristão é a chave do sucesso da Escola Cristã, bem como o seu
requisito principal. Sem ele de nada adiantará a correta orientação
filosófica, pois esta não conseguirá ser transmitida adequadamente aos
alunos. Como uma peça chave, será também a de mais difícil aquisição e
formação. Durante anos o professor cristão tem recebido o treinamento
severo e continuo das instituições seculares e bebido todas as
filosofias anti-Deus que estão sorrateiramente camufladas em materiais
didáticos pseudo-objetivos.
Poderíamos dizer que o primeiro passo no
estabelecimento de uma escola verdadeiramente cristã, seria o de
recrutar professores qualificados e dedicados, dentro do campo
evangélico, e efetivar com estes um longo período de treinamento
filosófico cristão. Ao fim deste treinamento uma seleção deve ser
efetivada, com o aproveitamento dos que compreendam as bases corretas do
trabalho a ser desenvolvido. Não deverá constituir nenhuma surpresa se,
ao final de tal programa, esbarrarmos com uma ou mais pessoas que não
conseguem traduzir a sua fé e dedicação cristã, por mais piedosas que
sejam, em princípios que orientem a tarefa diária que as espera. Todos
nós, cristãos, temos sido induzidos, uns de forma mais direta do que
outros, a realizar as nossas atividades de forma errônea, como se elas
subsistissem em compartimentos estanques, isoladas umas das outras.
Assim procedendo, inibimos a influência prática e filosófica do
evangelho em nossas atividades diárias, consideradas como “seculares”.
Os professores não se constituem exceção a esta regra. Como já
mencionamos, eles também foram exercitados por Satanás, em sua filosofia
(utilizamos aqui o termo “exercitar” conforme empregado em 2 Pedro 2.14
– no original a palavra grega é “gymnazo”, de onde extraímos o nosso
vocábulo “ginásio”, de exercícios ou de esportes). Diante disso, o
professor cristão, de modo geral, necessita hoje ser treinado e
exercitado pela orientação da Palavra da Verdade.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/1259/A_Responsabilidade_dos_pais_e_o_papel_do_professor_na_Educacao_Escolar_Crista

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