O texto abaixo foi extraído do livro: O Que Estão Ensinando aos Nossos Filhos, de Solano Portela, da Editora Fiel.
A Educação Escolar Cristã na universidade
Se na educação básica as bases são
lançadas, é na educação superior que: (a) os elos existentes entre as
diversas áreas de conhecimento são aclarados, (b) a coerência filosófica
entre a nossa fé e as demandas da nossa vida prática é constatada e (c)
uma visão integrada da vida, como a temos no Salmo 19, é estabelecida.
Na universidade nos é concedida a oportunidade de tornar mais real a
proposição do Salmo 24.1 – “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela
se contém, o mundo e os que nele habitam”. O curso universitário,
ministrado do ponto de vista bíblico, levará o estudante a afirmar, como
em Eclesiastes 12.13 – “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a
Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o
homem”.
Os grandes expoentes na história da
Igreja Cristã sempre deram a máxima importância à educação superior.
Agostinho escreveu De Doctrina Christiana, um tratado sobre educação,
sua importância e seus métodos. Lutero disse:
“Certamente não aconselho a ninguém a
enviar os seus filhos para estas escolas onde as Sagradas Escrituras não
reinam. Qualquer um que não se ocupe incessantemente com a Palavra de
Deus, certamente se tornará corrupto; consequentemente, devemos estar
sempre vigiando o que acontecerá com as pessoas que estão nas
instituições de ensino superior.”
Temo que estas instituições de ensino
sejam portas abertas para o inferno, se não ensinarem diligentemente as
Sagradas Escrituras e as colocarem nas mentes dos jovens.
Calvino teve como seu trabalho principal
a sistematização dos princípios bíblicos e cristãos em uma filosofia
coerente de vida. Ele também fundou, em Genebra, uma “Academia Cristã”,
instituição de educação superior, seguindo os moldes e as diretrizes
bíblicas.
Abraham Kuyper, estadista e teólogo
holandês do século passado, ao fundar a Universidade Livre de Amsterdam,
baseou o seu discurso inaugural em Isaías 48.11 “A minha glória não a
dou a outrem”, indicando que quando nos omitimos na esfera educacional,
deixando que Satanás proclame as suas filosofias, abertamente e sem
contestação, enquanto passiva e retraidamente assistimos aos seus
avanços em todas as esferas, estamos fazendo exatamente o que Deus
expressa não permitir: estamos deixando que a sua glória seja dada a
outrem! No entendimento de Kuyper o ensino que abstrai Deus não possuía
integridade possível, pois Deus está presente em toda a vida. Ele
escreveu: Deus está presente em toda vida com a influência do seu poder
onipresente e Todo-poderoso. Nenhuma esfera da vida humana é concebida
na qual a religião sustente suas exigências para que Deus seja louvado,
para que as ordenanças de Deus sejam observadas, e que todo labora seja
impregnado com sua ora em fervente e contínua oração. Onde quer que o
homem possa estar, tudo quanto possa fazer, em tudo que possa aplicar
sua mão – na agricultura, no comércio, na indústria –, ou sua mente no
mundo da arte e ciência, ele está, seja no que for, constantemente
posicionado diante da face do seu Deus, está empregado no serviço do seu
Deus, deve obedecer estritamente seu Deus e, acima de tudo, deve
objetivar a glória de seu Deus.
Kuyper indica que a compreensão
teológica da soberania de Deus é o que dá coerência à nossa compreensão
do universo. Vejam esses destaques, em sua argumentação:
• O amor à ciência, ... que objetiva uma
visão unitária de conhecimento de todo o cosmo, é eficazmente
assegurado pela nossa crença calvinista, na pré-ordenação de Deus.
• A crença nos decretos de Deus
significa que a existência e o curso de todas as coisas, isto é, de todo
o cosmo, em vez de ser uma frívola sequência do capricho e da chance,
obedece à lei e à ordem. Existe uma firme vontade que executa os
desígnios tanto na natureza, como na história.
• Somos forçados a confessar que existe
estabilidade e regularidade regendo todas as coisas. O universo, em vez
de ser um amontoado de pedras ajuntadas aleatoriamente apresenta-se às
nossas mentes como um monumental edifício erguido num estilo
coerentemente austero.
• sem esta visão, não há interconexão, desenvolvimento, continuidade. Temos uma crônica, mas não história.
Para Agostinho, Lutero, Calvino, Kuyper e
tantos outros reformadores, a tarefa de avançar com a educação, de
forma generalizada, até aos níveis mais superiores, era um simples ato
de obediência ao Senhor!
A universidade cristã deveria ser a
antítese da universidade secular. Na realidade, a universidade secular é
assim impropriamente designada, pois ela se constitui em uma
diversidade, em vez de em uma universidade. Isto é, encontramos
diversificação, incoerência, visão dissociada das coisas, inversão de
valores, e assim por diante. A norma é a “cola” ao invés dos princípios
de honestidade. Os líderes estudantis não são aqueles que mais se
destacam do ponto de vista acadêmico, mas, pelo contrário, justamente
aqueles que dedicam o menor tempo possível à procura do conhecimento. O
paradoxo, é que a universidade secular não preenche a sua finalidade,
não atende as necessidades e nem fornece as respostas às pessoas. O
homem moderno perdeu sua confiança e segurança. Ele não confia na
sociedade e no seu desenvolvimento; é desprovido do seu relacionamento
com o passado. Está solitário e vaga no escuro, resignado ao fato de que
ninguém pode justificar a vida, que um padrão válido não pode ser
localizado em lugar nenhum e que é vã a procura por um significado em
sua existência. É Cristo que dá coerência à vida e a universidade
verdadeiramente cristã há de tê-lo como centro das respostas que dará às
indagações de todos. Os princípios básicos da Educação Escolar Cristã
não somente podem como devem ser extrapolados ao nível universitário,
uma área que tem sido praticamente abandonada ao domínio da academia
inconsequente às questões últimas da vida, e onde, em muitos sentidos,
impera o mal.
Provérbios 8 e 9 nos dá uma magnífica
exposição dos diferentes aspectos da “sabedoria”. Entre outras coisas,
lemos ali que o mundo foi criado por ela (8.22-31); que o homem é parte
dela (8.31); que ela intervém entre Deus e o homem (8.32-35); que o amor
à sabedoria é o amor à vida (8.36); e que ela é a base da lei, da
ordem, da paz, da prosperidade e da vida (8.13-21). No Novo Testamento,
em várias passagens (Lucas 7.34,35; João 1.1-17; 8.58; 1 Coríntios
1.24,30; Romanos 16.27; Colossenses 2.3), a sabedoria é personificada em
Cristo, o único mediador entre Deus e os Homens; Deus manifesto em
carne, à nossa semelhança. Sabemos que a sabedoria não significa mero
conhecimento, mas sim a aplicação correta do conhecimento adquirido.
Somente instituições cristãs de ensino, comprometidas com a apresentação
dos princípios bíblicos de forma integral, praticando a Educação
Escolar Cristã poderão educar os nossos jovens corretamente. Somente
tais instituições centralizadas em Cristo poderão objetivar que seus
alunos apliquem sabiamente os conhecimentos adquiridos, servindo a Deus
em qualquer área profissional que venham a ser colocados. Nossa oração é
a de que possamos examinar as nossas responsabilidades como cristãos e
fazer muito mais do que temos feito no sentido de promover o
estabelecimento e a disseminação da verdadeira Educação Escolar Cristã.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
Solano Portela 26 de Janeiro de 2018 - Família

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