Sharon Dickens 28 de Novembro de 2017 - Família
Na semana passada, um escocês foi
sentenciado a 15 anos de prisão por sacudir um bebê de 15 semanas de
idade de modo tão forte que o seu cérebro foi danificado a ponto de
precisar de cuidados em tempo integral pelo resto de sua vida. Para
aqueles que conseguirem, a história pode ser lida aqui.
É fácil imaginar esses tipos de criminosos como monstros vis quando
pensamos em como tratam bebês indefesos e inofensivos. Mais uma vez, o
país ficou comovido no início deste ano pelo desaparecimento e morte
subsequente de Mikaeel Kular, de 3 anos. As notícias se multiplicaram
quando foi descoberto que sua mãe, Rosdeep, foi acusada do crime. Você
pode ler mais detalhes sobre isso aqui.
É horrível ler e pensar sobre esses
tipos de histórias. Elas geram emoções muito intensas dentro de nós
enquanto lidamos com raiva, piedade, compaixão e um sentimento de
injustiça. Pensar em bebês e crianças indefesos sendo abusados ??e
assassinados por aqueles que têm um dever de cuidar deles apenas aumenta
os nossos sentimentos. Casos “sérios” como esses são assuntos
de manchetes de vez em quando, mas tenho certeza de que há muitos casos
de crianças sendo abusadas por mulheres em todo país, os quais não são
noticiados. Uso “abuso” neste artigo para falar de crimes como:
pedofilia, agressões físicas, falta de suprimento de recursos físicos,
abuso emocional e negligência. Claro que existem mais, mas este é um
blog e você entende a ideia! Reconheço que pais, assim como mães, abusam
horrendamente de seus filhos. Reconheço que não são apenas mães
solteiras que abusam dos seus filhos. Mas, quanto à abrangência deste
artigo, estou falando sobretudo a partir de uma perspectiva de mãe
solteira. Vamos tratar de apenas alguns desses problemas.
1. Negligência física
“Ocorre quando as necessidades
essenciais de uma criança não são supridas e é susceptível de causar
prejuízo à sua saúde física e desenvolvimento. Tais necessidades incluem
alimentos, roupas, limpeza, abrigo e proteção... em circunstâncias que
colocam a criança em risco”. (Política de Proteção à Criança de Niddrie)
Por que uma mãe negligenciaria o seu filho?
Muitas vezes a negligência ocorre quando
algo que entra na vida de uma mulher substitui o seu cuidado por seu(s)
filho(s). Muitas mulheres afirmarão amar os seus filhos, mas, por
exemplo, gastarão dinheiro em um saco de heroína em vez de em comida,
luz e roupas. Outras, por solidão, admitem que homens suspeitos em suas
casas tenham acesso aos seus filhos apenas por causa de companhia. A
negligência ocorre quando os interesses e necessidades da mulher se
tornam a prioridade. Quando algo, qualquer coisa, está nos governando,
isso tem a primazia — não importa a quem possa doer. Seria ingênuo de
nossa parte desconsiderar as mulheres como abusadoras e acreditar que o
instinto de uma mãe para cuidar de seus filhos sempre anulará outros
desejos em seu coração. Em alguns casos, simplesmente não anula.
2. Danos físicos
É um trabalho árduo ser uma mãe
solteira. Você está sozinha em uma responsabilidade de 24 horas em 7
dias, sem nenhuma pausa, sem se afastar do estresse e sem “passar o
bastão”. É muito fácil frustrar-se e irar-se, especialmente quando você
está exausta. Mas a Bíblia é muito clara quanto aos pais: Efésios 6.4, “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”. Colossenses 3.21, “Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados”.
No momento em que você está sendo
governado pela ira e pune o seu filho fisicamente, a ira rapidamente
tomará conta e será despejada sobre a criança. Para conhecermos a
essência da nossa ira e violência devemos examinar o nosso coração,
confessar a verdade, nos arrepender e buscar a ajuda de Deus. Filipenses
4.13: “tudo posso naquele que me fortalece”, até mesmo lidar com a ira
interior e acabar com a violência em nossa(s) casa(s).
3. Abuso emocional
Embora eu deseje reconhecer que tanto as
mulheres como os homens em geral abusam fisicamente e são violentos com
seus filhos, sugiro que quando expressamos a ira é mais provável que
isso ocorra verbalmente; atacamos com nossas palavras. Mateus 15.18
lembra-nos que o que sai da boca procede do coração, e isso contamina
uma pessoa. Quando eu era uma criança havia uma música infantil: “paus e
pedras podem quebrar meus ossos, mas palavras nunca me machucarão!”.
Isso é uma mentira. Ossos e contusões saram muito mais rápido do que o
sofrimento emocional que podemos causar com palavras ditas. Lembro-me de
uma vez estar sentada com uma mulher e ela me dizia que simplesmente
não gostava de seus filhos e não tinha certeza de que os amava. A mãe me
garantiu que não havia dito nada aos filhos, mas nunca me senti tão
desolada por alguém como por aquelas crianças naquele dia. Aquelas
crianças sabiam! Todas as nossas palavras e ações têm um impacto, seja
gritando, seja expressando palavras maliciosas e iradas, ou dizendo-lhes
que elas são muito gordas, muito magras ou muito estúpidas. Provérbios 18.2 nos lembra que a morte e a vida estão no poder da língua. Em Provérbios 16.24 aprendemos que as palavras graciosas são como um favo de mel, doçura para a alma e saúde para o corpo.
Então, como a igreja pode ajudar uma mulher que está tendo dificuldades para lidar com isso em relação aos seus filhos?
Nenhuma mãe precisa ser uma mãe solteira
em uma igreja. Temos uma família da igreja, dada por Deus, que deve nos
apoiar e, portanto, como igreja, temos uma responsabilidade dada por
Deus de nos relacionarmos com nossa(s) irmã(s) em Cristo. Devemos lhe
oferecer um descanso. Cuide das crianças, para que ela possa repousar.
Faça companhia aos filhos dela e dedique tempo a eles. O pai ausente não
remove a necessidade de um modelo masculino na vida das crianças. Eu
desafio os homens bons e piedosos em nossas congregações a perceberem
que há um papel que eles podem desempenhar. Mulheres, nós precisamos
ficar ao lado daquelas que estão tendo dificuldades. Ajude-as a limparem
as suas casas. Convide-as para o jantar. Proporcionem alguma folga. A
lista não tem fim. Precisamos demonstrar com o que a boa e piedosa
paternidade se parece. É assim que eu creio que Deus desejou que o órfão
fosse cuidado. Muitas mulheres estão tendo dificuldades e muitas
crianças estão carregando o fardo mais pesado.
Que Deus nos ajude a viver como corpos
locais para a sua glória e alcançar os quebrantados de coração aonde
quer que os encontremos.
Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva.
Original: Child Abuse, Women & The Local Church.
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