Dave Harvey 01 de Julho de 2016 - Liderança da Igreja
Eu sei que é loucura, mas eu gostaria
que viajar no tempo estivesse prontamente disponível ao público. Por
quê? Porque eu tenho algumas coisas que eu realmente gostaria de dizer à
versão mais jovem de mim mesmo. Primeiro, eu diria a mim mesmo para não
surtar enquanto assistia os Steelers na semifinal de 1972 do campeonato
nacional de futebol americano, porque Franco Harris, o cara que liderou
um “exército italiano”, realizaria a “Recepção Imaculada” a 30 segundos
do fim do jogo. Eu também diria a mim mesmo que computadores não são
uma “modinha” passageira, e aí mencionaria que também seria sábio
investir numa companhiazinha chamada “Google”. Ah, e eu também diria a
mim mesmo para comer menos pizza e mais salada. Na verdade, eu
provavelmente não diria isso.
Mas eu amaria dizer ao meu eu mais jovem
algumas coisas sobre o ministério pastoral. Eu tenho feito esse negócio
de ministério pastoral por um longo tempo agora, por mais de 28 anos.
Através das décadas, eu aprendi algumas coisas que eu gostaria de ter
sabido como um pastor calouro.
Pastorear é primeiramente sobre pessoas
Eu era um tipo de pessoa impaciente,
controlável e ambiciosa, que não tinha necessariamente tempo para as
pessoas e os problemas delas. Era fácil pensar em pastoreio mais em
termos de liderança, programas e pregação, em vez de estar envolvido com
pessoas. Mas a realidade é: pastoreio é sobre estar intimamente
envolvido na vida das pessoas – ser um pastor de suas almas! Pedro
disse: “pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós...” (1Pedro 5:2).
Paulo disse: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o
Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de
Deus, a qual ele comprou com seu próprio sangue” (Atos 20:28).
Para ser um pastor fiel, você precisa cuidar das ovelhas.
Eu perdi isso no começo. Eu lembro
quando um membro deixou uma sessão de aconselhamento comigo se sentindo
mais gerenciado do que pastoreado. O feedback dele me tutoreou.
Ele veio procurando um pastor que cuidasse dele, o que ele conseguiu
foi um mecânico de almas procurando fazer um conserto.
D. Martyn Lloyd-Jones acertou na mosca
quando ele disse: “amar pregar é uma coisa, mas amar as pessoas para
quem você prega é outra bem diferente”. Se eu pudesse tomar um café com o
meu eu mais jovem, eu lhe diria sobre o que significa “amar as pessoas
para quem você prega”.
Pastorear é direcionado às pessoas quebradas
Jesus disse: “Os sãos não precisam de
médico, e sim os doentes” (Mateus 9:12). Em outras palavras, eu iria
querer dizer ao meu eu mais jovem que não é simplesmente que as pessoas
vêm aos pastores pedindo ajuda, mas que as pessoas procuram ajuda e
trazem consigo sua bagagem. Nós vivemos num mundo caído no qual o
pecado e a doença degradam a imagem de Deus e defraudam os seres
humanos. Eles mexem e bagunçam as pessoas. O ministério pastoral não
ocorre no Éden. Ocorre nas trincheiras sujas de um mundo caído. As
pessoas frequentemente procuram os pastores desfiguradas pelos efeitos
do pecado.
Eu não entendi isso, pelo menos não no
começo. Mas Deus foi fiel, e a realidade invadiu a minha festa pastoral.
Eu parecia lembrar disso acontecendo em torno de uma mulher depressiva
que não ficava melhor com as passagens que eu pedia que ela memorizasse.
Para minha sorte, pastores mais velhos estavam ali para forçosamente
salvar minha cosmovisão das garras da minha mente estreita. Eu comecei a
ver que a complexidade do quebrantamento não era tão simples, não tão
facilmente catalogada, não tão conveniente. Eu comecei a entender que é
por isso que Deus criou pastores.
É um momento muito esclarecedor quando um líder percebe: “puxa, isto é ministério. ISTO é o que ministério realmente é”.
Nós não pensamos normalmente no ministério dessa forma. Nós
romantizamos o papel, vendo-nos numa sala ou atrás de um púlpito, com
música suave tocando e palavras eloquentes gotejando de nossos lábios.
Mas, na verdade, ministério é bem
bagunçado. Como não poderia ser?! Nós ainda não somos o que devemos ser.
Eu sei que eu não sou! É por isso que eu preciso do Evangelho a cada
dia. É por isso que eu preciso – todos nós precisamos – de pastores.
Pastorear é sofrer
2Coríntios 4:7-12 nos dá uma fotografia
instantânea da realidade do sofrimento no ministério. Paulo descreve o
ministério dele em termos de ser aflito, perplexo, perseguido e
derrubado. Não exatamente a sua melhor vida agora. Mas ainda assim Paulo
também deixa claro que Deus não somente faz todas as coisas cooperarem
para o bem de Paulo, como também para o bem das pessoas que Paulo servia
(2Coríntios 1:7).
É fácil para pastores jovens esperarem
um caminho diferente no ministério pastoral – pensar apenas nos aspectos
públicos e glamorosos do ministério. Mas ministério é negócio duro. Não
é para o fraco de coração. Só um servo que sofre pode verdadeiramente
servir pessoas que sofrem. Quando um pastor toca as trevas, ele aprende
como encontrar a luz. E aí ele aprende como passar isso a outros.
Em algum lugar pelo caminho eu comecei a
ver isso mais claramente. Eu comecei a compreender que se eu quisesse a
experiência do poder da ressurreição dele, eu teria que participar dos
sofrimentos dele (Filipenses 3:10).
Eu acho que essa foi a lição mais difícil. Provavelmente a mais surpreendente também.
Conclusão
A menos que um Capacitador de Fluxo (se você tiver que perguntar, assista De Volta Para o Futuro!)
se torne uma realidade num futuro próximo, eu não terei a oportunidade
de conversar com meu eu mais novo. Mas eu posso falar com você, e você
pode, talvez, aprender mais rapidamente daquele que sem dúvidas era
muito lento para entender. Eu espero que isso ajude você a ver o
ministério mais sobriamente. Mas ainda mais, eu espero que isso te ajude
a ver um Salvador que redime nossas falhas, para que até mesmo os caras
lentos como eu possam “de boa vontade gastarem-se e deixarem-se gastar”
(2Coríntios 12:15) em prol daqueles que ele ama.
Tradução: João Pedro Cavani
Revisão: Yago Martins
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