A Fé da Estação de Trem
No Ocidente moderno, uma nova e perigosa religião tem dominado a cultura: o cosmoteísmo. Enquanto o cristianismo ensina que Deus é transcendente e separado do cosmos, a mente pós-moderna divinizou a própria criação, decidindo que o sentido da vida deve ser encontrado exclusivamente aqui e agora, nas coisas imanentes. O pagão moderno cansou-se de ver o mundo como um alojamento temporário. Ele quer fazer desta terra o seu lar definitivo e, para isso, sente-se no direito de reordenar toda a civilização.
A grande tragédia, porém, aponta Jared Longshore em Em Defesa da Família Cristã, é a forma apática e pietista como muitos cristãos reagiram a essa invasão cultural.
Em vez de exercerem o domínio pactual sobre a terra, grande parte dos evangélicos adotou uma postura de fuga, passando a enxergar a vida neste mundo como se estivessem sentados em uma simples estação de trem. A mentalidade é profundamente individualista. O crente acredita que possui sua passagem garantida para o Céu, sabe que deve se comportar moralmente, ler a Bíblia e fazer suas orações enquanto aguarda o embarque final.
O problema é que ele não percebe que a glória do destino para o qual está viajando já começou a descer sobre a própria estação onde se encontra. Jesus nos ensinou a orar justamente nessa direção: “Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.
Por ignorarem essa realidade cósmica e pactual, muitos cristãos não sabem como atuar no mundo nem compreendem como suas famílias, vocações e trabalhos estão conectados ao governo de Deus sobre todas as coisas. Quando os secularistas erguem ídolos ao nosso redor e procuram destruir instituições sagradas como o casamento, a família e a própria ordem criada, o cristão da estação de trem muitas vezes permanece sentado.
Sua omissão costuma ser justificada por uma frase familiar: “Estou apenas de passagem”. Como consequência, ele entrega espaços de influência, abandona responsabilidades e deixa que outros definam os rumos da cultura.
Entretanto, essa não é a visão bíblica da vida cristã.
Sim, somos peregrinos e forasteiros. Mas também somos cidadãos do Reino de Deus e membros de uma nova humanidade formada em Cristo. O Novo Testamento não nos chama para fugir da criação, mas para servi-la sob o senhorio do Rei.
A resposta de Deus à rebelião humana nunca foi abandonar o mundo à própria sorte. Pelo contrário. Desde o princípio, Ele prometeu restaurar todas as coisas por meio do descendente prometido. A história da redenção aponta para a reconciliação de tudo sob o governo de Cristo.
Por essa razão, o povo da aliança não foi chamado para uma espiritualidade de retirada. Foi chamado para uma espiritualidade de construção. Somos convocados a edificar casas, plantar vinhas, criar filhos, desenvolver cultura, exercer domínio responsável e trabalhar fielmente com as próprias mãos, confiando nas promessas de Deus para as gerações futuras.
A família cristã ocupa um papel central nessa missão. É no lar que a fé é transmitida, que discípulos são formados e que a próxima geração aprende a viver sob a autoridade de Cristo. Cada família fiel torna-se uma pequena fortaleza do Reino em meio a uma cultura em rebelião.
Precisamos abandonar a mentalidade da estação de trem. O cristão não foi chamado para esperar passivamente pelo fim da história. Foi chamado para participar ativamente dela, servindo ao Rei que já governa sobre os céus e a terra.
Assuma o seu posto nessa guerra. Ame sua família. Eduque seus filhos. Trabalhe com excelência. Construa com fidelidade. Viva como alguém que sabe que Cristo reina agora.
A família cristã fiel, vivendo em aliança e exercendo domínio sob o senhorio de Deus, continua sendo uma das principais estratégias escolhidas pelo Senhor para transformar o mundo.
https://www.editoratrinitas.com.br/familia/em-defesa-da-familia-crista-jared-longshore-capa-dura-edicao-luxo
Em Defesa da Família Cristã - Jared Longshore - Capa Dura (Edição Luxo)
Nenhum comentário:
Postar um comentário