Os familiares sinais que chegam com o Advento estão por toda parte: Melodias natalinas, cheiro de pinheiros e da canela e lugares cheios de decorações natalinas que parecem surgir mais cedo a cada ano. Essa familiaridade e essa nostalgia costumam fazer do Natal “o momento mais maravilhoso do ano”.
Para muitos, no entanto, esta temporada pode ser uma lembrança dolorosa de bons momentos que não existem mais. Talvez este ano haverá um lugar vazio na mesa, e a única coisa que podemos pensar é na tristeza profunda que estamos prestes a experimentar novamente. Este conflito entre alegria e dor pode trazer mais confusão e mágoa do que podemos suportar.
Até a própria história do Advento tem seu mistério.
Nascido de Uma Virgem
Considere o nascimento virginal. Esta parte da história é posta sob intenso escrutínio pelos céticos, todo ano. Lucas registra que um anjo apareceu a uma jovem virgem chamada Maria e disse que ela engravidaria… do Espírito Santo. Não apenas isto, mas também que seu filho seria o Filho de Deus, um rei para o trono de Davi. Certamente ela lembrou da promessa de que uma virgem daria à luz um filho (Is 7.14), mas parecia bom demais para ser verdade.
Imagine a confusão, a alegria e o turbilhão de pensamentos passando pela cabeça dela! O anjo diz a Maria que sua parente Isabel também estava grávida. Isabel era de idade avançada e havia sido estéril por toda a vida. Ser infértil nos dias de Jesus era considerado uma maldição. Imagine a alegria que elas compartilharam, a jovem adolescente e Isabel, talvez em seus 70 ou 80 anos, ambas grávidas. Quando Maria visitou sua prima o bebê de Isabel (João Batista) saltou em seu ventre pela saudação de Maria. Numa imagem espelhada em Gênesis, a história de Abraão e Sara, Deus está demonstrando que Seus caminhos, embora difíceis de compreendermos, estão sendo tecidos em uma história maior. Embora nunca tenha sido tocada, vida nova é trazida. Embora estéril toda a sua vida, Deus está tornando o impossível possível.
Depois de ficar com Isabel por três meses, Maria volta para Nazaré, e as pessoas começam a questionar. Elas começam sussurrando, primeiramente pelas costas, e depois, na frente dela. Suas roupas começam a apertar. Mas lembre-se, Maria não deveria estar grávida. Ela está noiva de José, não casada. Imagine o escândalo desta gravidez em uma pequena cidade como Nazaré. José ia tomar a decisão honrosa e divorciar-se dela, ao invés de acusá-la de infidelidade. Mas, em um sonho, um anjo acalma José e lhe assegura de que Maria é virtuosa e este bebê é do Espírito.
Lembre-se, José é da casa de Davi, ele mesmo um descendente de Jacó, Isaque e Abraão. Pense no peso do que está acontecendo na vida deste humilde carpinteiro. Uma criança nascida em sua casa, mas que não era seu filho. Uma criança que ele adotará em breve, uma criança que é a peça central do grande plano de adoção de Deus para o mundo.
Uma Longa e Estranha Viagem
Em seguida, houve o decreto da parte de César Augusto para o censo. A linhagem de José era impressionante, o que tornava ainda mais importante ir e ser contado. Mas e Maria? Ela estava grávida de oito meses. Sua parteira estava em Nazaré, a uma semana de distância a pé. Sempre achei esta uma das partes mais estranhas da história. Os obstetras de hoje em dia não querem que suas pacientes viajem longas distâncias no final de sua gravidez.
Mas Maria concorda em fazer essa longa viagem sem data de retorno programada. E como não poderia deixar de ser, enquanto eles estão nesta cidade rural, a bolsa de Maria se rompe. Eles estão longe de casa, em uma cidade pequena e lotada, e não há um quarto para alugar. José pergunta a um dono de pousada se ele tem qualquer lugar onde eles simplesmente possam descansar. Ele oferece o equivalente a uma caverna atrás de sua pousada, onde os animais dos hóspedes ficam.
Deus Se Aproxima
O Deus Todo Poderoso, em corpo humano, como bebê, vai fazer Sua grande entrada, tendo os olhares, sons e cheiros de animais de fazenda como testemunhas. Realmente estranho. No projeto curioso de Deus, os pastores têm a honra de serem os primeiros a saber do nascimento deste Rei e os primeiros a vê-Lo. Essa cena deve ter sido esquisita. Eles eram pastores pobres, sem roupas adequadas para se apresentar a um rei. Mas não é isso mesmo? Deus vem a nós e nos encontra nos lugares mais improváveis. Na simplicidade das nossas circunstâncias (nossas confusões, decepções e fracassos) o Rei Jesus nos encontra.
Dois anos mais tarde, Herodes fica sabendo deste rei através de alguns sábios astrólogos/cientistas. Ele, então, conspira para encontrar Jesus também, não para adorá-Lo, mas para matá-Lo. Os sábios recebem instruções para retornar para casa pelo caminho mais longo, evitando Herodes. José e Maria são avisados para fugir de sua cidade natal. Em um dos piores genocídios em massa imagináveis, Herodes ordena o assassinato de todas as crianças com menos de dois anos de idade, na tentativa de aniquilar o pretendente de seu trono.
Nada Normal
Não há uma cena normal na história do Advento. Uma adolescente virgem está grávida. Anjos em cada esquina. Infanticídio em massa. Para nossos amigos incrédulos, isso pode soar mais como uma tragédia de algum dramaturgo desequilibrado do que a Palavra de Deus. Mas o que fazer com essas esquisitices? Como lidar com elas?
Historicamente, há um “exagero de detalhes” quanto à confiabilidade destes eventos.
Emocionalmente, ansiamos para nos conectarmos com esse momento. Amamos o Natal, não é? Mas ele tem que ser mais do que árvores, presentes e comida.
Talvez este ano não haja esperança de uma nova vida, e ao invés de gritos e risos tudo que você ouvirá será o persistente e ensurdecedor silêncio da infertilidade.
Talvez este ano sua mesa de Natal estará diferente por causa da perda de um ente querido. Se o Natal for apenas aparato externo, o que acontecerá quando isso se perder? Talvez sua própria história seja tão misteriosa quanto aquelas que você leu tantas vezes, e se pergunta como o Autor vai tecê-las em um final feliz.
Em todas essas histórias (antigas ou modernas, curiosas ou dolorosas) há um fio em comum. E, por mais misterioso que seja, o mistério do Advento é claro para aqueles que acreditam. Este é um tema que percorre o Antigo Testamento desde o dia em que Adão e Eva foram expulsos do jardim. Quem será o Salvador? Quem será o Messias? Quem será esse Cristo?
Mistério Revelado
O mistério, a tensão e a trama do Advento estão embrulhados na manjedoura, no Emanuel, o Deus conosco. Não Deus “perto” de nós. Não Deus “próximo”. Mas Deus conosco. Ele veio à terra como um indefeso e pequeno bebê, mas com toda a onipotência de Deus. Chorando por comida e leite, Ele é o Pão da vida. Ele precisava ser ensinado a amarrar uma linha de pesca, mas é o Pescador de homens. Um garoto que pegou resfriados, esfolou o joelho, talvez até mesmo torceu o tornozelo brincando, sendo Ele mesmo o Grande Médico. Um menino que cresceu com medos reais, tentações reais e desejos reais, ainda é o Desejado das nações, não querendo outra coisa senão a vontade do Pai que O enviou.
Este Rei menino é o mistério revelado. Ele é o ápice do Natal. Não há alegria na manhã da ressurreição sem a dor da Sexta-Feira Santa. E não há nenhuma dor na Sexta-Feira Santa sem a manjedoura. Mas esta manjedoura (local para a ração dos animais) embalou o Cordeiro de Deus. Da mesma forma como Jesus veio ao mundo nos fundos de uma pousada lotada, deitado em uma caverna emprestada, um dia Ele seria pendurado numa cruz por causa dos pecados e seria enterrado em um túmulo emprestado.
É por isso que celebramos o Natal. Este mistério que faz com que o imaculado Cordeiro de Deus esteja conosco, embora nossos pecados sejam como a escarlata. Ele é por nós. Ele tornará nossos pecados brancos como a neve. Oro para que você vá procurar este Rei mais uma vez, porque, na realidade, Ele já te encontrou.
Vinde, contemplai o maravilhoso mistério.
Traduzido por Marq
Michael Douglas vive em Audubon, New Jersey, com sua esposa Jennifer. Eles têm um filho e estão à espera do nascimento de seu segundo menino. Michael planeja voltar para Knoxville, Tennessee, em 2017, depois de terminar sua residência em urologia; ele aguarda com expectativa ter mais tempo para passar com amigos e familiares, e ao ar livre.
19 JUNHO, 2017 | MICHAEL DOUGLAS
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https://coalizaopeloevangelho.org/article/o-natal-e-um-misterio/
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