Tornou-se comum entre evangélicos acusar outros de falta de amor por tomarem posições firmes em questões éticas, doutrinárias e práticas. A discussão e confrontação de posições são vistas como falta de amor. É possível que, durante debates acalorados, palavras sejam ditas de forma inadequada. A sabedoria reside em escolher o momento e a maneira justa de falar (Eclesiastes 8:5). Todos já passamos pela frustração de não saber expressar as coisas da melhor forma.
No entanto, não acredito que confrontar irmãos que não estão na verdade seja falta de amor, assim como Paulo confrontou Pedro quando este se desviou da verdade do Evangelho (Gálatas 2:11). Alguns dirão que isso é arrogante e que ninguém é dono da verdade. Porém, confrontar é parte do chamado bíblico de examinar tudo, retendo o que é certo e rejeitando o que é falso e injusto.
Apesar de apelar ao amor, não é garantia de espiritualidade e verdade. Há quem se vanglorie de amar, mas não viva corretamente diante de Deus. Paulo criticou essa atitude aos cristãos de Corinto, que se gabavam de ser uma igreja espiritual e amorosa, mas toleravam imoralidade entre eles – como um membro da igreja que estava tendo relações com sua madrasta (1 Coríntios 5:2, 6). Igrejas hoje que toleram condutas variadas se baseiam nessa mesma ideia, alegando serem amorosas e não condenarem ou excluírem ninguém.
Ninguém na Bíblia falou mais sobre amor do que o apóstolo João, conhecido como o "apóstolo do amor". Porém, ele também criticou líderes evangélicos que abandonaram a verdade:
"Eles saíram de nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco" (1 João 2:19).
"Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho" (1 João 2:22).
"Aquele que pratica o pecado procede do diabo" (1 João 3:8).
"Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo" (1 João 3:10).
"Todo espírito que não confessa Jesus não procede de Deus. Ora, esse é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo" (1 João 4:3).
"Muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne. Esse é o enganador e o anticristo. … Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. … Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más" (2 João 7-11).
Poderíamos acusar João de falta de amor pela firmeza com que enfrentou erros teológicos? O amor requerido pelos evangélicos sentimentalistas se torna uma posição sem convicções. O amor bíblico disciplina, corrige e repreende, mas também perdoa, esquece, tolera e apoia diante de arrependimento. Portanto, o amor que é praticado por aqueles ofendidos pela defesa da fé, exposição de erros e confronto de inverdades não é amor bíblico. A falta de amor seria deixar as pessoas serem enganadas sem tentar mostrar seus erros.
Deus abençoe,
Rev. Augustus Nicodemus
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