Nos últimos 10 anos, tenho estado envolvido com a formação e treinamento de pastores. Ao longo desses anos, um assunto tem sido recorrente nas conversas com meus colegas: temos uma igreja em crise. Algumas vezes tenho a sensação de que o problema é nossa expectativa. Quando esperamos o céu na terra, as antecipações que experimentamos aqui não nos são suficientes. Mas outras vezes tenho a sensação de que, de fato, temos um problema real. Guerras constantes em torno de questões litúrgicas, pessoas fugindo de postos de serviço como o Diabo foge da cruz, juventude apática, ausência de crianças, esvaziamento de reuniões e outras coisas semelhantes a essas não podem ser normais.
Em momentos de crise, multiplicam-se propostas de solução. E, conversando com esses mesmos colegas, tenho tido contato com muitas. Há, contudo, algo que sempre me incomodou em boa parte delas: elas costumam apresentar uma longa lista de coisas para fazer sem oferecer uma discussão aprofundada a respeito do porquê deveríamos fazer as coisas. E me parece que a chave para a solução de muitos de nossos problemas está exatamente aí: na dimensão dos fundamentos. Claro; limitar-nos aos porquês também é um problema; e, fugindo de um, não podemos cair no outro. Fomos chamados para fazer coisas e não apenas para entender coisas. Mas o fato é que aquilo que fazemos está diretamente relacionada a como compreendemos as coisas, de modo que problemas litúrgicos não podem ser resolvidos a menos que tenhamos um claro entendimento a respeito do que é o culto e a adoração pública, assim como questões relacionadas à educação eclesiástica não podem ser resolvidas sem uma clara compreensão do que é educação cristã.
Por essa razão tenho uma suspeita: INTENCIONALIDADE deve estar entre as virtudes-chave para os líderes eclesiásticos de nossos dias, e “POR QUÊ?” deve estar entre as suas perguntas principais. Porque fazemos desta ou daquela maneira? Porque passaremos a fazer de maneira diferente? Agora pela manhã, lendo um artigo do Dr. Charles Melchert, me deparei com uma citação, que parece mostrar que não estou viajando; ou, se estou, pelo menos não estou sozinho. Ela diz o seguinte: “se não temos clareza sobre o que é ou o que estamos buscando no processo, o melhor que podemos esperar é chegar ao nosso objetivo meio que por acaso. Eu sugiro que tanto o nosso povo quanto o nosso Deus têm o direito de esperar mais de nós do que isso”.
Por: Filipe Fontes. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Original:Igreja em crise e o retorno aos fundamentos.
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Filipe Fontes
Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Rev. José Manoel da Conceição. Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Licenciatura Plena em Filosofia pelo Centro Universitário Assunção. Mestre em Teologia (THM) com concentração em Filosofia pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper. Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutor em Educação, Arte e história da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
https://voltemosaoevangelho.com/blog/2020/01/igreja-em-crise-e-o-retorno-aos-fundamentos/
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