Sharon Dickens 26 de Dezembro de 2017 - Pecado
Recentemente, estava
ouvindo um debate de rádio cujo foco estava nas mudanças de legislação
propostas no Reino Unido para uso da Internet. A premissa basicamente é
que, quando se conecta a um servidor, o usuário doméstico é perguntado
se deseja ou não acessar pornografia. Uma simples resposta “sim” ou
“não” é requerida. Isso causou clamor porque, aparentemente, seria muito
desconfortável para as famílias discutirem juntas e as pessoas podem
ter que ser honestas com seu cônjuge! Além disso, uma das principais
pressuposições, e que logo foi dissipada pelo número de chamadas, era
que a pornografia não era (em grande parte) uma questão feminina. Sempre
me surpreende que quando se trata de um assunto como pornografia, abuso
infantil e violência doméstica há muitos que diriam que “esses não são
problemas femininos!”. As mulheres são mais frequentemente aceitas como
as vítimas e raramente como autoras quando esses tópicos são discutidos.
A pornografia está se
tornando cada vez mais uma questão feminina. É um assunto que não é
exatamente um tabu, mas seriamente difícil de ser falado particularmente
nos círculos cristãos entre a população feminina. Muitas mulheres lutam
contra esse pecado secreto nunca revelando sua(s) batalha(s) a qualquer
pessoa. Felizmente, o tema das mulheres e a pornografia começou a
receber alguma notoriedade recentemente. De modo preocupante, alguns
comentaristas têm sugerido que, para as mulheres, esse tipo de luxúria
difere em relação aos homens, já que é mais uma luxúria pela imagem
corporal perfeita do que qualquer tentação sexual explícita. Eu não sei
se essa sugestão é apoiada pelo desconforto que muitas mulheres sentem
pensando sobre sexo e pornografia como uma questão para “nós”, mas isso não soa verdadeiro na minha experiência pessoal e pastoral sobre essa questão.
Em 1 João 2.15-17 somos exortados: “Não
ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o
amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência
da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede
do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua
concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece
eternamente”.
Quando as mulheres
assistem à pornografia, elas parecem tão cheias de luxúria quanto um
homem. Na verdade, a maioria das mulheres que eu aconselho estão vendo
pornografia do mesmo sexo com frequência alarmante. Mark Driscoll, em
seu e-book Porn-Again Christian, embora escrito principalmente
para homens, é muito útil para as mulheres, porque ele sugere que a
principal razão para a pornografia é incentivar a masturbação. Eu
preciso concordar. Quando questionadas sobre isso, muitas mulheres
confessam que, em primeiro lugar, as imagens são usadas para aumentar o
prazer de si mesmas. Esse véu de segredo em torno das mulheres e da
pornografia resulta em pobreza espiritual, fraca imagem corporal
(orgulho), uma visão falsa do amor (uma enorme questão pastoral moderna)
e nem chega perto de aliviar a solidão que muitas mulheres (solteiras e
casadas) sentem. É uma mentira do abismo do inferno que esse prazer em
si mesma satisfará quando sabemos que ele é de curta duração e faz com
que nos sintamos sujas, culpadas e envergonhadas.
Muitas mulheres estão
lutando em segredo, envergonhadas para contar a alguém, em grande parte
por medo da recriminação. Muitas estão presas em um padrão cíclico que
não podem e (muitas vezes) não querem romper. No entanto, precisamos confessar os nossos pecados uns aos outros e orar uns pelos outros, para que sejamos curados
(Tiago 5.16). Devemos ter alguma boa prestação de contas, porque matar o
pecado sexual começa com a exposição e termina com não ser mais
escravizado (Romanos 6.6). Claro, a exposição é dolorosa, mas é melhor
ouvir “Muito bom, servo bom e fiel” do que “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”.
Se a pornografia em sua vida não for tratada rapidamente, então,
meninas, posso lhes assegurar que isso será algo contra o que lutarão
por toda a sua vida e que contaminará todos os seus relacionamentos.
Então, como uma mulher que luta contra a pornografia pode lidar com isso e como nós, como uma igreja, podemos ajudá-la?
1. Boa prestação de contas
Esse não é um assunto
sobre o qual você pode abrir uma classe e esperar que 25 mulheres
participem. Eu ficaria surpresa se essa estratégia funcionasse em algum
lugar. Contudo, isso é algo que pode ser resolvido com uma boa prestação
de contas pessoal (ou em um pequeno grupo). Essa prestação de contas
envolverá perguntas difíceis que ninguém realmente deseja responder (e
que muitas vezes nos fazem sofrer). Como mulheres que lideram a sessão
de prestação de contas, precisamos amar tanto as mulheres com quem nos
preocupamos de modo que façamos as perguntas que ficamos mais
embaraçadas para discutir. As mulheres que estão lutando com a
pornografia precisam acordar e apreciar o que realmente é bom. Isso não é
algo que você pode continuar escondendo. Precisamos encorajar umas às
outras a levar nossos pecados à luz e confessá-los a Deus e umas às
outras. Encontre alguém em quem possa realmente confiar, que seja um
exemplo bom e piedoso, e compartilhe a verdade. Você não se arrependerá.
2. Arrependa-se
Deus é fiel, justo e nos
purificará de toda iniquidade (1 João 1.9). Há uma enorme diferença
entre uma mulher que está se envolvendo/experimentando e uma que está
realmente lutando contra a pornografia. Devemos ver o Espírito Santo
nutrindo o desejo de parar de pecar. Não se engane com palavras vagas e
mentiras. A pornografia é idolatria e deve haver arrependimento dela. Em
Efésios 5.3-6, Paulo lembra à igreja: “Mas a impudicícia e toda
sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como
convém a santos... Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou
avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.
Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira
de Deus sobre os filhos da desobediência”.
3. Peça a Deus que a ajude
“Apressa-te em socorrer-me, Senhor, salvação minha!” (Salmo 38.22).
Não estamos abandonados em nossa incapacidade. Podemos encontrar
liberdade e força na cruz de Cristo. Não estamos sozinhos e Deus nos
ajudará a permanecermos firmes se o buscarmos e clamarmos a ele. Muitos
de nós não temos simplesmente porque não pedimos. Escondemo-nos e
fingimos que o problema não é tão ruim ou que ele simplesmente
desaparecerá por conta própria. Não desaparecerá. Precisamos uns dos
outros, precisamos de arrependimento profundo e precisamos pedir a Deus
que nos cure e nos purifique enquanto lutamos contra a pornografia.
Que Deus nos ajude.
Tradução: Camila Rebeca Teixeira
Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva
Original: Is Porn Really A Woman's Issue?
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http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/1256/Mulheres_e_a_perigosa_tentacao_da_pornografia

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