O marxismo cultural
Alguns se espantam ao ouvir que um cristão não pode concordar com o
marxismo, seja ele chamado de socialismo, comunismo, progressismo ou
qualquer outro termo. O discurso social presente nessas ideologias serve
para encobrir conceitos, preceitos, preconceitos e pressupostos
anticristãos existentes nele. Desde a década de 1960, a estratégia
gramscista desenvolveu o que chamamos de marxismo cultural.
Essa estratégia busca substituir a cultura ocidental fundada em
pressupostos judaico-cristãos por uma cultura socialista. Somente depois
da transformação cultural se poderia implantar a “ditadura do
proletariado”.
Durante esse processo, os espaços destinados à educação e à cultura,
devem ser ocupados pelos chamados intelectuais marxistas, que
introduzirão desde o topo as ideias e os conceitos com a finalidade de
alterar as mentalidades. Essa é a razão porque no meio acadêmico pode
ser percebido hoje uma “hegemonia da esquerda”1. Esse
predomínio marxista se espalha desde a cultura do homem comum até as
casas legislativas, onde há uma preocupação desproporcional no sentido
de criar leis para minorias que se chocam com a moral e a cosmovisão
cristã da população.
O processo de transformação cultural vai chocar-se em vários pontos e
em vários momentos com valores e conceitos cristãos. As formas
utilizadas pelo marxismo cultural para lidar com o cristianismo são as
mais variadas. Em alguns momentos agredirá os conceitos cristãos. Em
outros, agirá de forma enganosa, seduzindo os cristãos, levando-os a
crer que possuem os mesmos propósitos. E haverá ainda ocasiões nas quais
procurará criar uma síntese impossível entre teologia cristã e
marxismo, como já aconteceu no Evangelho Social e hoje acontece na
Teologia da Libertação, na Teologia da Missão Integral e nos movimentos
cristãos “progressistas em geral”.
Os que acreditam na possibilidade de unir as duas cosmovisões, com
certeza desconhecem as duas ou são movidos por motivos escusos. Essa
impossibilidade era bem clara quando os comunistas simplesmente
torturavam e matavam cristãos. Quando alteraram sua estratégia de
conquista, deixaram a muitos confusos e fizeram morrer as verdades
reveladas desde suas raízes.
É preciso que cada cristão compreenda que o marxismo, não apenas
pelos seus atos, mas por sua essência, é inimigo do cristianismo, mesmo
quando o acaricia. Os pressupostos do marxismo cultural colidem de
frente com os pressupostos cristãos.
Andarão dois juntos se não estiverem de acordo? (Amós 3.3)
Pressupostos
Pressupostos são verdades fundamentais aceitas sem qualquer prova
empírica (experimental), porquanto o conhecimento começa à base dessas
verdades fundamentais.2 Toda religião e ideologia tem seus próprios pressupostos, verdades que ele aceita antes de qualquer prova.
Todavia, é bom lembrar que o cristianismo tira seus pressupostos da
revelação. O que crê sobre Deus e seus atos são derivados das Escrituras
reveladas. Razão e revelação
caminham juntas no cristianismo. Já o marxismo tomou para si os
pressupostos do materialismo ou naturalismo, para o qual “o cosmo é tudo
o que existe ou sempre existiu ou sempre será”, como definiu Carl
Sagan, astrofísico e apresentador do programa Cosmos.3
Se os pressupostos são verdades fundamentais que servem de base para
as religiões e ideologias, é imprescindível conhecer os fundamentos do
cristianismo e do marxismo, para então compará-los. Depois disso,
torna-se fácil perceber a incompatibilidade entre eles e a loucura que é
a tentativa de fazer de ambos, simultaneamente, os fundamentos de suas
crenças e ações.
Pressupostos cristãos
Deus existe. Ele criou todas as coisas para a sua glória e dentro de
seus propósitos. Criou o homem, coroa da criação, à sua imagem, homem
que está acima dos animais e seu propósito é glorificar a Deus. O homem
desobedeceu a ordem direta de Deus e por isso tanto sua própria natureza
como a natureza ao seu redor foram afetadas. Seus relacionamentos com
Deus e com outros foram corrompidos. Tornou-se alienado de Deus pelo seu
pecado e por isso a encarnação, morte e ressurreição de Jesus
tornaram-se necessárias para redimi-lo. A salvação foi consumada em
Cristo e será concretizada por Deus no futuro quando o poder da
ressurreição de Jesus manifestar-se nos remidos e em toda a nova
criação. Esses são pressupostos revelados que estão na base de todo
pensamento cristão.
Temos no cristianismo verdades essenciais que o diferenciam de qualquer religião e ideologia.
Pressupostos marxistas
Para um marxista, não existe um Deus, nem alma humana, nem qualquer
ser espiritual, pois tudo o que existe é a matéria e tudo o mais é o
movimento da matéria (materialismo dialético). O homem evoluiu à partir
dos símios como resultado do trabalho e o grande problema da humanidade é
a propriedade privada. Esse problema será resolvido através da ditadura
do proletariado, quando a classe trabalhadora tomar o poder, banir o
capitalismo com todas as suas injustiças e implantar o comunismo em todo
mundo. O ser humano é apenas um ser social. Tudo o que ele é deriva da
sociedade e suas relações com ela. A redenção do mundo virá com a
vitória do comunismo mundial.
O choque inevitável
Dois bicudos não se beijam. E dois absolutos também não. O marxismo
nunca se apresentou como uma proposta política e sim como um messianismo
redentor destinado a transformar o mundo em um paraíso social. Ele
jamais pode conviver pacificamente com o cristianismo, por isso derramou
o sangue cristão ou procurou perverter seus ensinos e sua moral. O
choque é inevitável.
As diferenças não estão nas superfícies ou nas periferias. Estão nas
raízes e nas bases. E o pacifismo cristão, seja ele verbal ou físico,
faz dele uma vítima inocente diante da agressividade marxista, tanto
verbal quanto física. Se o cristianismo continuar cego diante da real
natureza do marxismo cultural será facilmente derrotado por ele. Devemos
amar nossos inimigos, sem jamais confundi-los com os amigos.
http://www.saberefe.com/blog/marxismo-cultural/
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