Barbara R. Duguid 12 de Julho de 2016 - Vida Cristã
Magnifica a glória de Deus
Newton afirma categoricamente que nem o
nosso estado de segurança como crentes, nem a honra e a glória da
reputação de Deus são diminuídos pelo pecado remanescente nos cristãos,
visto que eles são ensinados a combatê-lo. As implicações desta
afirmação nos fazem refletir de muitas maneiras. Deus não vinculou sua
própria glória ao nosso desempenho e sim ao desempenho de seu Filho
amado. O acordo feito dentro da Trindade, antes dos tempos eternos,
visava revelar a glória da Divindade, e ao homem nunca foi dado o poder
de diminuir essa glória com seu pecado. Pelo contrário, a pecaminosidade
implacável do homem só poderia ampliar o imenso, maravilhoso,
determinado e inabalável amor que Deus fixou em seu povo para seu
próprio prazer. A glória não foi planejada para residir na criatura, e
sim, totalmente, na bondade e santidade do Criador.
Embora haja um sentido em que cristãos
que usam o evangelho como desculpa para desfrutar do pecado trazem
desonra ao nome do Senhor aqui na terra (Romanos 2:23), esse fato não se
aplica àqueles que odeiam seu pecado e continuam a lutar contra ele,
dia após dia. Pelo contrário, Newton afirma que há uma glória única na
luta deles, e cada tentativa é preciosa para Deus, independentemente do
sucesso ou fracasso que ele tenha atribuído a isso. Deus
ensina seu povo a lamentar seu pecado e a lutar contra ele. No entanto,
eles são chamados a fazer isso com a certeza de que, embora o pecado
guerreie contra os crentes, ele nunca reinará. Embora o pecado possa
abalar a paz e a alegria deles, nunca poderá separá-los de Deus ou
arrancá-los de seu coração ou de sua mão. Em pouco tempo, quando os
cristãos estiverem livres da fraqueza por meio da morte, eles serão
completamente perfeitos.
As boas razões que Deus tem para nos
fazer sentir a nossa própria depravação são muitas. Por nos mostrar o
nosso pecado, o poder de Deus é magnificado; e a sabedoria, a fidelidade
e o amor de Deus são revelados de maneira mais dramática para nós e
para o mundo espectador. O poder de Deus para salvar e guardar seus
próprios filhos, em meio a tanta oposição, é ampliado. Newton compara
isso a um fogo que queima sob a água ou a uma sarça ardente que não é
consumida pelo fogo. O fato de que Deus pode realizar facilmente a sua
vontade, sem levar em conta as probabilidades que se acumulam contra o
crente, é nada menos do que um milagre.
Satanás também é afligido e colocado em
seu devido lugar pelo poder de Deus, que estabelece limites para a fúria
e os danos que Satanás pode causar. Embora Satanás ataque, não pode
vencer. Quando ele nos derrubar, sempre nos levantaremos em
arrependimento, porque o Senhor está do nosso lado. O fracasso de
Satanás em nos vencer é ainda mais impressionante devido à nossa
fraqueza e incapacidade de resistir-lhe. Satanás é humilhado e despojado
de seu suposto poder diante das hostes celestes, enquanto Deus nos
guarda, apesar de todo o sucesso e influência do inimigo. Que coisa
engraçada para imaginarmos!
Aumenta o amor dos crentes por Deus
Além disso, o Senhor Jesus se torna mais
e mais precioso para a alma redimida. Toda a vanglória é completamente
excluída, e toda a glória de uma salvação gratuita e integral é dada
somente a Jesus. Não há espaço para a dupla glorificação, pois, se somos
totalmente dependentes de Cristo, tanto para a vontade de obedecer
quanto para ter capacidade de fazê-lo, todo o nosso pecado permanece sob
nossa culpa, enquanto todo o crédito pela obediência deve ser apenas
dele. Aqueles que pecam muito são perdoados muito e crescem no amor que
têm por seu Salvador, mais do que se nunca tivessem pecado ou precisado
da bondade de Jesus em lugar deles. Os crentes que estão convencidos de
sua própria fraqueza e depravação não ousarão — nem ousam — tomar o
crédito por qualquer bondade há neles.
Em vez disso, eles reconhecem
prontamente que, se Deus não os tivesse mantido ao seu lado, teriam se
afastado dele em todas as oportunidades. Teriam se destruído muitas e
muitas vezes, se Cristo não tivesse sido o pastor deles. Quando vagaram,
ele os trouxe de volta. Quando caíram, uma ou outra vez, ele os
levantou e lhes deu coragem para tentarem mais uma vez. Quando estavam
doentes, ele os curou; quando ficaram exaustos e cansados e pensaram que
jamais poderiam seguir em frente, ele os reviveu. Sua fraqueza foi
tomada pela força de Deus, e algumas das provas mais claras que tiveram
de beleza e excelência de Cristo foram desencadeadas pelos vislumbres
mais vergonhosos que tiveram de si mesmos e de sua própria depravação.
Aumenta a humildade dos crentes
Deus ama um espírito humilde e contrito,
e isso pode vir a nós por meio de nosso próprio fracasso pecaminosa e
repetitivo. É interessante ler o Salmo 51, à luz do pecado de Davi com
Bate-Seba. A dependência humilde de Davi em Deus é expressa claramente
quando ele confessa seu pecado e pede a Deus que lhe dê o que ele não
pode conseguir por si mesmo. Ele diz: “Cria em mim, ó Deus, um coração
puro e renova dentro de mim um espírito inabalável… Restitui-me a
alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário” (Salmo
51:10,12). Davi compreende, de um novo modo, que não pode tornar seu
próprio coração obediente ou disposto a submeter-se a Deus. Estas boas
coisas exigem a obra do próprio Deus em favor de Davi. Este conclui que,
se Deus fizesse esta obra, ele, Davi, ensinaria aos transgressores os
caminhos de Deus, para que os pecadores se convertessem para o Senhor
(v. 13). Como Pedro, Davi se tornou mais qualificado para levar pessoas a
um Pai celestial amoroso depois de ter visto as profundezas de seu
pecado e a grande necessidade de que o poder de Deus operasse nele.
Um profundo senso de nossa própria
pecaminosidade também detém o nosso orgulho e a nossa atitude defensiva.
Quem é verdadeiramente humilde não se irritará facilmente quando se
deparar com críticas, apropriadas ou não. Ele sabe que a verdade real de
sua depravação é muito mais profunda do que qualquer um pode ver e não
discutirá com aqueles que apontam seus erros ou o acusam falsamente. Ele
é pior do que qualquer pessoa possa imaginar e grato ao Pai, pois a
pior de suas ofensas é conhecida apenas por Deus e por ele mesmo. Os
pecadores reincidentes precisam se arrepender frequentemente para que se
tornem mais compassivos e amorosos para com as lutas de seus irmãos
pecadores e, assim, aprendam a andar ao lado destes com mais amor e
paciência. Reconhecemos que, se parecemos mais fortes ou mais espertos
do que os outros em uma área especifica, é somente a graça que tem feito
a diferença. Entendemos que, nos aspectos em que outros são fracos, as
sementes do mesmo tipo de pecado residem profundamente em nosso próprio
coração e que, sem a graça e a vontade de Deus, somos capazes de tudo.
Aumenta o anseio dos crentes pelo céu
Em sua discussão sobre as vantagens do
pecado remanescente, Newton também incluiu a observação de que nós,
seres humanos, não tendemos naturalmente a ansiar pelo céu. Somos presos
à terra e apegados às nossas posses e às pessoas que podemos ver e
tocar. No entanto, quando nos cansamos de nosso pecado e ficamos
esgotados por nossa incapacidade de lutar contra ele, nossos pensamentos
se voltam cada vez mais para a vinda do dia de nossa libertação. Newton
viu neste fato a bondade de Deus para conosco. A morte é uma coisa
assustadora, mesmo para aqueles que são fortes na fé. Vivemos a maior
parte de nossa vida em negação da chegada da morte, porque não podemos
suportar a separação do que amamos na terra e não temos tanta certeza do
que está por vir. Entretanto, em amor, Deus nos cansa de nós mesmos e
nos ajuda a ansiar pelo que tememos e nos apavora naturalmente.
Vejo isto acontecendo em meus próprios
pais agora. Deus os abençoou com muitos anos maravilhosos e saudáveis
juntos no seu serviço dele. Agora, muitos dos amigos mais próximos de
meus pais já morreram, e eles parecem viver em um estado de expectativa e
gratidão perpétua. Mal podem esperar para partir e estar com o Senhor.
Meu pai está tão ansioso para isso, que faz suas despedidas finais para
mim cada vez que vou embora de sua casa, após uma visita. Ambos falam
sobre a morte com admiração e expectativa, mas não estão nem mesmo
doentes. Os pensamentos deles se encontram dirigidos ao céu e ficam a
imaginar como será a sensação de estar diante de Deus e de ver a face de
seu precioso Salvador. A mente deles está tão focada no mundo vindouro,
que sinto a necessidade de, vez por outra, lembrar-lhes que ainda não é
hora da vigília de morte! A morte já perdeu seu aguilhão e parece ter
grande dose de fascínio, alegria e expectativa para eles. Isto talvez
pareça loucura, mas, de fato, é sanidade completa e maravilhosa. Como
Newton mesmo diz:
Uma grande coisa é morrer e, quando a
carne e o coração falharem, ter Deus como a força de nosso coração e a
nossa porção para sempre. Sei em quem tenho crido, e ele é capaz de
guardar o que me foi confiado até aquele grande dia. Desde agora, está
reservada para mim uma coroa da justiça que o Senhor, justo Juiz, me
dará naquele dia.
Estas são apenas algumas das jubilosas implicações do tipo de amor e perdão que Jesus Cristo ganhou para nós!
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