Jesus ensinou a expiação definida. Ele
fala de si mesmo como o “bom pastor [que] dá sua vida pelas ovelhas”
(João 10.11-15). Ele conhece e é conhecido por suas “próprias” ovelhas,
assim como o Pai o conhece e ele conhece o Pai (João 10.14,15). As
ovelhas de Jesus ouvem sua voz e o seguem (João 10.27). Ele lhes dá a
vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém pode arrebatá-las de sua
mão (João 10.28). O Pai as deu; ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai
(João 10.29).
Aqui, expiação definida é expiação
eficaz: antes de tudo, as ovelhas são do Pai; são dadas ao Filho; ele
deu sua vida por suas próprias ovelhas; são guardadas nas mãos do Filho e
do Pai; nenhuma ovelha, por quem Cristo deu sua vida, jamais perecerá
(João 10.28). Mas, além disso, Jesus faz do implícito explícito: os que
não abraçam a fé nunca foram suas “próprias ovelhas”: “Mas vós não
credes, porque não sois das minhas ovelhas” (João 10.26, AT). A lógica
de nosso Senhor, aqui, é notável. Ele não diz: “Vós não credes e por
isso não sois parte de meu rebanho”. Mas sim: “Vós não credes porque não
sois parte do rebanho pelo qual eu dou minha vida”. Assim, lado a lado
com a expiação eficaz, Jesus fala de uma discriminação divina entre as
ovelhas (aquelas dadas, pelas quais morreu, chamadas, atraídas e
guardadas) e as que não parte de seu rebanho.
Os ministros do Evangelho servem como
subpastores e bispos assistentes de Cristo, o “Pastor e Supervisor”
(1Pedro 2.25). Deles é uma vocação profundamente teológica. Como
Calvino, buscam se tornar teólogos mais bem aparelhados a fim de serem
pastores melhores. Dois comentários estão em ordem aqui.
Primeiro, e na natureza do caso, o
ministro é um profissional prático geral em teologia, não um
especialista acadêmico. O pastor é construtor de igreja, não um
arquiteto. Mas, para servir bem no edifício local da igreja, ele
necessita de um pleno e operante conhecimento da arquitetura do
Evangelho. Em particular, visto que sua vocação é pregar a Escritura à
luz de sua utilidade (2Timóteo 3.16-4.5), ele deve estar familiarizado
com tudo o que é “proveitoso” e não deve “deixar de vos anunciar… todo o
desígnio de Deus” (Atos 20.20-27). Ele deve ainda ser equipado não só
para pregar a verdade, mas para discernir e refutar o erro (Tito 1.9),
de modo que possa proteger o rebanho de Deus dos lobos vorazes (Atos
20.29-31).
Segundo, em qualquer ministério que seja
necessária firmeza na sucessão apostólica, a exposição e aplicação do
ensino bíblico sobre a expiação demandam um lugar central. Paulo nos dá a
visão em afirmações resumidas: “Porque decidi nada saber entre vós
senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1Coríntios 2.2);“Mas longe
esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”
(Gálatas 6.14). Como subpastor, ele deve expor o que o Principal Pastor
fez, dando sua vida por suas ovelhas.
Mas, seguramente, a expiação definida é
um ponto sofisticado e controverso da teologia e, portanto, improvável
para impactar o ministério pastoral?
O NT enfatiza que a expiação não conhece
limitações étnicas (Gálatas 3.26-28), no entanto, é também “definida”.
Em sua morte, Cristo realmente faz expiação pelos pecados de seu povo;
reconciliação é a obra finalizada. Isso é inserido no enredo e na trama
do ensino do NT em grande medida da mesma maneira que a obra da Trindade
condimenta e colore sua mensagem. E, de uma maneira similar, talvez
menos óbvia, como se pensa sobre a natureza, os efeitos e a extensão da
expiação, tem um impacto inevitável, direta ou indiretamente, na
pregação, ensino e aconselhamento pastoral. Se parte da tarefa do
ministro é ajudar sua congregação a entoar com jubilosa admiração em
resposta ao Evangelho,
Glorioso amor! Como é possível
Que tu, meu Deus, tenhas morrido por mim?
então o significado de seu morrer “por mim” não pode ser ignorado.
A posição adotada por todo este volume é
que Cristo morreu pelos eleitos, e que a expiação feita por ele, sejam
quais forem suas ramificações mais amplas, foi “definida”, isto é,
destinada a indivíduos específicos e essencialmente eficaz. Seu
propósito não era fazer a salvação possível a todos (e logicamente,
portanto, potencialmente eficaz a ninguém), mas fazer uma expiação
particular e efetiva: o Pastor deu sua vida por suas ovelhas; todas as
suas ovelhas serão chamadas, justificadas e glorificadas (Romanos 8.30).
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
Sinclair Ferguson 23 de Agosto de 2017 - Teologia Geral
O texto abaixo foi extraído do livro Do Céu Cristo veio Buscá-la, de David Gibson e Jonathan Gibson, da Editora Fiel.

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