Desenvolvimento de líderes
Esta é uma área chave do ministério na
periferia. Muitas igrejas locais neste assunto entregam completamente
suas responsabilidades para os seminários, o que pode, em alguns casos,
resultar em perda para a igreja e para a pessoa que está sendo treinada.
Certamente, na periferia, nós precisamos ter claramente definida uma
abordagem multifacetada para desenvolver a próxima geração de líderes. É
claro que os líderes mais efetivos são líderes locais, mas o que
devemos fazer quando isso não está acontecendo, ou provavelmente não
acontecerá por muitos anos? Eu não sou um líder realmente local (de
Niddrie), mas eu sou um líder de mesma origem cultural. Eu cresci numa
periferia no norte da Inglaterra e, por essa razão, eu conheço a
“cultura da periferia”. Em minha equipe ministerial, eu tenho um grupo
que consiste de pessoas de classe média vindas de fora (os de fora da
cultura), pessoas da localidade e outras de mesma origem cultural. Cada
um deles têm suas forças e fraquezas.
“Os de fora da cultura”
Estes são geralmente jovens de classe
média que têm a periferia no coração, mas não tem a experiência de vida
e/ou mentalidade formada por essa cultura.
Positivo: Eles são
normalmente muito inteligentes, bons em aprender e trazem um senso de
autodisciplina para equipe. Eles podem ter passado por algum treinamento
teológico formal, ou podem estar pensando em fazer isto no futuro. Eles
vêm a Niddrie para ganhar alguma percepção e experiência real do que é
estar envolvido em um ministério em tempo integral, particularmente
neste contexto. Eles quase sempre são fortes em suas habilidades
interpessoais.
Negativo: Eles quase
sempre são extremamente ingênuos quando se trata de lidar com (algumas)
situações de manipulação. Eles também tendem a ter uma visão altamente
romantizada do “pobre” e esta pode resultar em depressão e desanimo
quando a realidade chega. A taxa de evasão neste grupo é alta, talvez
80% ou mais não entram para este tipo de ministério. Contudo, aqueles
que passam pelos primeiros dois anos normalmente ficam por muito tempo.
Eles podem ter uma tendência para paternalismo quando lidam com pessoas
da localidade que eles veem como menos instruídas, menos inteligentes ou
menos capazes de lidar com pensamentos teológicos complexos do que
eles. Isto fica quase sempre evidente na falta de crescimento entre
aqueles que eles alcançam e/ou estão discipulando porque frequentemente
eles são mimados ou superprotegidos.
Líderes locais
Este grupo é o futuro à longo prazo do
trabalho na periferia. Em Niddrie, muitos de nossos convertidos estão na
faixa de 30 a 40 anos de idade (nós temos um estranho na faixa dos 20),
mas, independente da idade, muitos deles têm sérios problemas mentais
e/ou psicológicos. Eles simplesmente não foram feitos para posições de
liderança. Eles são fortes em termos de habilidade relacional com
pessoas na comunidade, mas eles não serão a futura liderança da igreja
local na periferia. Isto dependerá de um plano de 10 anos (no mínimo).
Razão pela qual a equipe ministerial da igreja na Comunidade Niddrie se
comprometeu por pelo menos 10 anos e porque, após nos tornarmos
independentes, nós mudamos muito do nosso foco para o trabalho com
crianças e jovens na periferia. Nós precisamos ter um ministério
dinâmico nesta área. É fato que quase nenhum jovem se converteu em
Niddrie na última década. Eu estou disposto a arriscar e dizer que essa
situação não está restrita a nossa periferia.
Nossos futuros líderes locais estão com
aproximadamente 5 anos de idade agora, e, por isso, precisamos investir o
nosso tempo, energia e recursos em evangelizar e discipulá-los,
possibilitando que cresçam para ser a próxima geração de lideres
cristãos nascidos em Niddrie. Como cristãos nas periferias, precisamos
trocar a tendência de “mudar-se para melhor”, por “ficar e desenvolver”.
Nós precisamos ficar e precisamos ajudá-los a ficar para construir e
estabelecer uma comunidade cristã forte, saudável e dinâmica no coração
da comunidade.
Líderes com a mesma cultura
Nós podemos continuar recrutando pessoas
de fora da cultura enquanto trabalhamos nos objetivos de longo prazo,
mas eu acho que perdemos um truque em nosso contexto quando não damos
valor para líderes de um mesmo pano de fundo cultural. Eu tenho dois
jovens homens na minha equipe atualmente, um escocês e outro inglês.
Ambos estiveram presos e cresceram na periferia. Eles possuem uma
percepção cultural inata e uma intuição que não podem ser ensinadas.
Eles são destemidos quando se trata de lidar com as pessoas da
localidade e não têm nenhum problema em compartilhar o evangelho ousada e
agressivamente. Eles têm muitas fraquezas, e uma delas não sem
importância é uma forma de viver meio caótica. Eles cometem erros, pode
faltar a eles disciplina pessoal e eles podem ter dificuldade em vencer a
estagnação. Mas eles são ensináveis, espertos e absorvem ensinamento
bíblico e doutrina. Novamente, eles aplicam a Bíblia de forma intuitiva
sem que alguém tenha que pedir. Existem muitos homens e mulheres assim
por todo o país, normalmente isolados como um dedo machucado em
congregações de classe média.
Eu já perdi a conta do número de
ligações que eu recebo de igrejas espalhadas pelo país falando sobre
“fulano” que veio de uma “situação difícil” (leia prisão e/ou drogas) e
está “tendo dificuldades de se integrar na igreja” (leia “nós não
sabemos como nos adaptar a este indivíduo e ele provavelmente estaria
melhor com você”). Em um nível, igrejas como esta deveriam parar de
reclamar e apenas lidar com a situação. Faria muito bem a todas as
igrejas do país ter pelos menos duas pessoas vindas de uma “situação
difícil” e aprender como cuidar delas biblicamente. Não somente isto,
mas discipulá-los e se arriscar lhes dando alguma responsabilidade de
liderança. O fato é que uma vez que você tenha vindo de uma “situação
difícil”, o perigo é que você se torne o “testemunho oficial” daquela
igreja, separado para eventos evangelísticos, mas não visto de fato como
um líder em potencial. Digo isso para as pessoas legais de classe média
sem “problemas” e que não tem a mesma “bagagem” (se examine!).Em
Niddrie, uma das áreas ministeriais que eu gostaria de desenvolver é um
curso de treinamento in loco para líderes com este pano de
fundo cultural, para poder discipular melhor, equipar e enviar cada um
deles às milhares de comunidades necessitadas por todo o país. Nós
poderíamos fazer um bom estrago em favor do reino com esta abordagem
estratégica de treinamento. Eu acho que esta pode ser uma área chave
enquanto tentamos reconquistar terreno em muitos destes lugares.
Este é um tópico sobre o qual eu quero
escrever, inclusive lidando com as questões financeiras desta abordagem.
Contudo, em parceria com a Porterbrook Training Material, eu
acredito que o futuro pode ser muito bom para muitas de nossas
periferias na Escócia. Eu acho que pode ser estruturado por meio destes
“tipos de liderança” e ajustado para nossas necessidades específicas. O
que nossas comunidades precisam é de líderes cristãos jovens, fortes e
de todos os panos de fundo, trabalhando juntos, unidos por Cristo e
avançando para o reino de Deus em algumas das áreas mais carentes do
nosso país.
Por favor, ore por nós à medida que refletimos e trabalhamos nestas ideias em parceria com outros.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
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