Desenvolver habilidades na comunidade
Robert Lupton chamaria de uma
“redistribuição de recursos”. Sua lógica seria a seguinte (embora seja
de uma perspectiva de desenvolvimento comunitário):
- Cristãos deveriam viver na área que estão tentando alcançar.
- Cristãos deveriam trabalhar tendo em vista o ministério da reconciliação tanto no nível da relação com Deus quanto no nível comunitário.
- As comunidades perceberão, nós esperamos, uma redistribuição dos recursos e habilidades da comunidade.
O que exatamente ele quer dizer com
isso? Basicamente, quando o povo de Deus se compromete a se mudar para
áreas urbanas carentes, então eles estarão levando suas qualidades para o
benefício da comunidade no sentido mais amplo. Em outras palavras, eles
a enriquecem (quase como um padrão). Os recursos intelectuais e
criativos que em grande escala saíram de nossas periferias nas décadas
anteriores voltarão se mais cristãos de todos os níveis (profissionais e
outros) se mudarem de volta para a periferia. Apenas por se mudar para
uma comunidade e tentar ser um vizinho responsável e uma testemunha
piedosa de Jesus, além de buscar o bem e a melhoria da comunidade,
veremos este princípio na prática. Se isto é verdadeiro com um
indivíduo, então imagine o poder de um grupo comprometido de 20 a 40
seguidores de Cristo em 20 periferias diferentes em toda a Escócia.
Imaginem a boa influência que eles teriam mesmo nos lugares mais
sombrios.
Imaginem pessoas trabalhadoras e
habilidosas voltando para nossas comunidades na periferia. Estas mentes
criativas certamente deixarão sua marca se e quando começarem a se
engajar localmente. A revitalização da comunidade acontecerá sem que
precisemos traçar uma estratégia para tal (o que não significa que não
devamos traçar uma). Com pessoas novas, chegarão novos relacionamentos e
novos recursos em nossas periferias. Novas habilidades podem ser
ensinadas para os membros já existentes da comunidade para benefício de
todos. A transformação cultural e econômica pode começar em um contexto
de um a um, onde algumas destas novas habilidades são aprendidas e
passadas adiante. Cosmovisões podem ser compartilhadas para gerar
profundidade, compreensão e uma ampliação da mente. Por isso, a
propósito, eu acredito que a gentrificação[1] não é realmente uma coisa completamente ruim.
Igrejas na periferia podem se envolver
ao desenvolver ministérios que busquem encorajar os dons, comumente
latentes das pessoas da localidade, e encontrar meios pelos quais elas
possam se expressar, tais como clubes de arte, grupos teatrais, classes
literárias, estágios e programas de recolocação no mercado de trabalho
(na verdade, uma vasta gama de ideias de acordo com as necessidades
particulares daquele contexto). Este é o tipo de coisa que estamos
tentando encorajar na Igreja da Comunidade Niddrie. Nós oferecemos às
pessoas a chance de ajudar com administração, serviço de escritório,
cozinhar na cafeteria, habilidades básicas de contabilidade e
computação, e nós temos planos para sediar outras atividades com o
desenvolvimento de nossos programas de estágio e aprendizado.
Todas estas coisas, claro, são meros
meios para o evangelho do Senhor Jesus Cristo que deve ser proclamado em
alto e bom som. Ele causará a única mudança verdadeira e duradoura,
tanto espiritual como física. Mas nós não ficamos esperando que as
pessoas se arrependam antes para que então façamos uma contribuição para
melhorar nossa comunidade. Nós fazemos independente da resposta a nossa
mensagem. É um sinal que a mensagem que proclamamos tem fundamento na
realidade de como vivemos nossas vidas e a compartilhamos na comunidade
de cristãos, e com nossa comunidade como um todo. Ao invés de olhar uma
periferia como um projeto onde entramos para “fazer ministério”, nós
devemos estar pensando nela como nossa casa à medida que nos mudamos
para ela e investimos nela completamente.
Ore pelo ministério 20schemes e por
nossa visão de ter pequenas comunidades de cristãos ativos vivendo para a
glória de Jesus Cristo em nossas periferias mais necessitadas. Nós
queremos “entrar de cabeça” nestas comunidades enquanto refletimos sobre
estes temas.
[1]
Nota do Revisor: Chama-se gentrificação (do francês arcaico
“genterise”, que significa “de origem nobre”) a alteração das dinâmicas
sociais de determinado local através da criação de novos edifícios e
empreendimentos comerciais, substituindo pequenas lojas e antigas
residências. Esse processo, por mais que represente um avanço econômico
em uma região de periferia, são criticados por alguns estudiosos do
urbanismo por ser um fenômeno supostamente excludente às camadas mais
pobres.
Tradução: Fábio Luciano
Revisão: Yago Martins
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