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domingo, 1 de maio de 2016

O enigmático Balaão e sua mula falante (Nm 22-24)

balaao
Uma breve investigação sobre o enigmático vidente Balaão (Nm 22-24), abordando os seguintes aspectos: procedência, participação no drama de Números, as ironias existentes no drama, aspectos teológicos e éticos, e ainda porque o autor inclui esta historieta no livro? O que queria ensinar?
 Para entender bem quem é foi este homem, leia Números 22-24.
Plano de Fundo
Ao contrário da versão Vulgata, as versões Árabe antiga e Etiópica, assim como nossas versões, trazem que Balaão (בּלעם) era filho de Beor (בּעור – be‛ōr), que era de Petor (pē´thor – פּתור – Φαθουρα). A Vulgata diz “Balaão, proveniente de Bosor” como sendo o lugar de onde veio. “Bosor” e “Beor” são os mesmos nomes, com uma diferença apenas de uma letra, צ para ע. Possivelmente morava no oriente (Mesopotâmia), um residente da mesma área geral da qual vieram Abraão e os magos dos dias de Jesus. Esta era a região em que Labão vivia e à qual Jacó se dirigiu para obter um esposa (Gn 29.1-35).
 Procedências
            Balaão foi um adivinho, pagão, que vivia em Petor, cidade da Mesopotâmia (Nm 31.8), próxima ao rio (provavelmente Eufrates cf. Nm 22:5). Tinha o conhecimento de Deus, julgando que os próprios poderes dos adivinhos, profetas e poetas não denotavam fatores que lhe poderiam oferecer resistência. Balaão já havia conquistado Jericó e certas regiões dos moabitas.
Balaão é uma das figuras mais curiosas da Bíblia. Tamanha era a sua fama que o rei Balaque de Moabe, ao enfrentar a chegada dos israelitas a caminho da terra prometida, mandou pedir ao vidente que lançasse uma maldição sobre os invasores para que os moabitas conseguissem derrotá-los.
Participação no drama de Números
            O rei Balaque, de Moabe, ao enfrentar os israelitas no caminho da terra prometida, já sabia que eram muito fortes e o Deus todo poderoso era com eles. Foi a partir daí que o rei Balaque mandou chamar Balaão, para que fizesse um feitiço e derrotasse os israelitas. Porém Balaão não quis ir. Todavia Balaque mandou que chamassem Balaão mais uma vez, e que dessa vez lhe oferecessem muito dinheiro. Desta forma Balaão foi, com aprovação do Senhor, contanto fizesse o que lhe seria pedido.
            Balaão dispunha de acessibilidade a Deus muito acima da média e tinha o desejo básico de ouvir a voz de Deus. Apesar da recaída que ocasionou a experiência da jumenta que falou (Nm 22.22-31), quando ele aceitou o convite do segundo grupo de emissários e foi até Balaque. Balaão buscava a Deus e sempre que possível e era flexível às ordens de Deus. Porém, há uma profundidade de percepção na transmissão das verdades que Deus deu a Balaão, o que indica que ele não era novato nas coisas profundas do Espírito. Pelo visto, na gangorra do bem e do mal na experiência de Balaão, o bem saiu vitorioso. Isto foi exato pelo menos nas fases iniciais do seu contato com Balaque e nas pressões que sofreu, ou para abençoar ou para amaldiçoar Israel. Outra evidência é que Balaão foi usado por Deus para abençoar os Israelitas e, assim, frustrar o plano engenhoso de Balaque de detê-los. Desta forma ele faz parte no drama de Números, sendo parte importante, para que mais uma vez Deus pudesse mostrar o Seu poder e punir o povo de Israel pelo seu pecado.
Ironias existentes no drama
            Uma delas é o episódio da jumenta. Como que um animal irracional e sem os órgãos específicos da fala poderia comunicar-se? De fato a jumenta não só expressou-se com a fala inicial, mas também respondeu a afirmação de Balaão, ou seja, teria entendido inclusive o que Balaão havia falado.
É interessante notar que a narrativa de Números 22-24 não dá a entender que Balaão teria sido de forma alguma responsável pelo pecado do povo de Israel. Ele apenas teria ido embora. Não fossem outras citações falando do pecado de Balaão em outros lugares, como em Nm 31:16, Dt 23:4, 2Pe 2:15, Jd 11 e Ap 2:14.
Outro aspecto que também pode ser mencionado é a maneira como ele tentava enganar Balaque dando opiniões pra destruir os Israelitas, sendo que ele já sabia que Deus era com eles, e não poderiam ser derrotados.
 Aspectos Teológicos
Balaão procurava falar somente o que Deus lhe permitia, isso de certa forma mostra que ele era um homem que buscava a Deus. Porém fica claro que Balaão tentava negociar com Deus. Certamente que isto não era algo bom.
Podemos ver também que Balaão era um homem inspirado pelo Senhor para declarar a vontade de Deus, mas isso não significa necessariamente que Balaão era um homem bom ou um crente verdadeiro em Javé. Todavia, as profecias de Balaão sobre Israel foram reais e se realizaram. Podemos ver que Deus permitiu que um homem como Balaão fosse usado por Ele. Balaão mostrava flexibilidade diante das vontades de Deus, isso quando essa vontade lhe era clara.
Aspectos Éticos
            O caráter de Balaão claramente pode ser visto por dois extremos de interpretação.  Há quem o estigmatize de salafrário, um feiticeiro pagão. Embora desempenhasse o papel de verdadeiro profeta ao abençoar Israel, antes de sair de cena, ele sugere um meio peculiarmente repugnante de ocasionar a ruína de Israel.
Está visível que Balaão não tinha o caráter tão bom assim, pois o mesmo recebeu dinheiro para ir até Balaque e amaldiçoar Israel. Fica claro que Balaão não era tão certo aos olhos de Deus.
Porque o autor inclui esta historieta no livro
            O autor inclui esta história no livro para mostrar o poder de Deus sobre uma nação chamada Israel. E mesmo que o personagem seja um vidente, não é alguém além de Deus.
Sabemos que Deus age através da história, e esta certamente é uma parte específica da história de Israel, que possivelmente ainda era lembrada pelos primeiros leitores do livro de Números.
Há uma possibilidade de que a vida de Balaão representasse o crente que cumpre a letra da lei, mas viola seu espírito. Ele não falaria o que Deus não lhe dissesse, mas queria fazer o mal. É tão evidente que Balaão sempre tentava negociar com Deus. Porém Balaão, de forma clara, estava sempre buscando saber do Senhor. Isso implica na real situação de um crente que conhece a lei mas não a segue, e busca a Deus, mas faz sempre o contrário da vontade dEle. Creio que o autor queria deixar este exemplo para os crentes, e também contar a história do poder milagroso de Deus sobre o povo de Israel.
O que queria ensinar
Que serão malditos os que amaldiçoarem, e benditos o que abençoarem, pois o nome do Senhor é poderoso e não deve ser negligenciado.
Que diante de uma ordem do Senhor, todo orgulho deve ser posto por terra, e somente o nome do Senhor será exaltado.
Que nada prevalece contra os propósitos de Deus. Quando Deus está no comando ninguém é suficientemente poderoso pra vencê-lo.
Por maior que seja a “recompensa”, ou a quantia monetária envolvida, ir contra a vontade de Deus nunca é uma alternativa válida para os que O conhecem.
Bibliografia
John Gill’s Exposition of the Entire Bible
“Bíblia de Estudo em Cores”. Editora Bom Pastor, São Paulo, 2002.
“Bíblia Nova Versão Internacional”. Editora Vida, São Paulo, 2002.
GORDON, J. Wenhan “Números: Introdução e Comentário.” Editora Cultura Bíblica, São Paulo, 1991.
CHAMPLIN, Russell Norman. “Enciclopédia de Bíblia Teologia E Filosofia.” Editora Candeia, São Paulo, 1991.
LIVINGSTN, George Hebert. “Comentário Becon”. Editora CPAD, São Paulo, 2005.
PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. “Foco e desenvolvimento no Antigo Testamento”. Editora Hagnos,  São Paulo, 2006.

por



Nm 22-24
Nm 31:8, 16
Ne 13:2
Mq 6:5
Dt 23:4-6
Js 13:22, 24:9
2Pe 2:15
Jd 11
Ap 2:14

http://unidosnosenhor.com.br/bemvindo/multimedia-archive/balaao/


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