O arrependimento de Judas
Dr.
Fábio Blanco
Uma das inúmeras vantagens que a fé
em Cristo nos permite sobre a vida ordinária é a possibilidade constante de
arrependimento. Mas tal diferença não se encontra no arrependimento em si,
apenas. O homem comum, mesmo que não tenha fé, pode arrepender-se de atos
cometidos e palavras proferidas. Pode ser que, ao refletir sobre sua atitude,
ele perceba que agiu mal, injustamente, erroneamente e, de alguma maneira,
diga: "Se pudesse, voltaria atrás em meus atos".
O fato, porém, inexorável, é que o
tempo não volta. O que foi feito, está feito; o que está dito, está dito; o que
está escrito (ainda mais nestes tempos que não é mais possível rasgar os
papéis), está escrito.
Para o homem sem fé, porém, a
impossibilidade de apagar o passado, reescrever sua história, retomar sua vida
a partir do momento antes do erro é um peso que pode se tornar insuportável.
Saber que seus equívocos estarão lhe perseguindo pelo resto da vida pode ser
uma opressão demasiado forte para poder ser tolerada.
Quando diz-se que Judas Iscariotes
cometeu suicídio não por ter se arrependido, mas por remorso, tal assertiva é
quase correta. Na verdade, Judas arrependeu-se, pois percebeu, segundo suas
próprias palavras, que pecou, "traindo sangue inocente" (Mt 27.4). O
que não havia nele era a fé. Por isso, seu arrependimento, ao invés de
libertá-lo, acabou por consumi-lo.
O que faltou a Iscariotes, e que
todo cristão verdadeiro possui, por causa de sua fé em Cristo, é a
possibilidade de lançar sobre ele seus arrependimentos, sabendo que "se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça" (IJo 1.9).
Essa possibilidade traz para o
cristão, além da óbvia vantagem espiritual, uma evidente vantagem psicológica.
Saber que seus pecados são perdoados pelo ser mais poderoso que há, anula toda
e qualquer acusação que pode ser feita por um ser humano qualquer. Além disso,
ter a certeza que Deus, que é o juiz soberano, não considera mais seus erros,
pois os perdoou, é uma fonte de motivação para recomeçar e tentar mudar a
própria história.
Às vezes, algumas pessoas ficam
incomodadas com criminosos que, após serem encarcerados, se convertem ao
cristianismo. Para o homem comum, isso, simplesmente, é uma forma de tentar
limpar seu passado sujo e pecaminoso.
Na verdade, esses que se incomodam
estão certos por um lado, pois um criminoso, quando se converte, está tentando
mesmo, de alguma maneira, apagar a nódoa do seu passado. Porém, os que o
criticam não percebem que é esta mesma a essência do cristianismo e a vantagem
do cristão. Se o passado, como fatos que ocorreram no tempo e tiveram suas
consequências, não pode ser mudado, resta para aquele que errou e se arrependeu
apenas dois caminhos: ou lava seus erros com o sangue de Cristo, ou sufoca-se
em seu próprio remorso.
Por isso, ser cristão é uma
possibilidade constante de retomar a vida. Mesmo quando alguns erros parecem
tê-la condenado definitivamente, o crente pode confiar que, diante daquele que
mais importa, seu passado equivocado está apagado. E se não está da memória, da
crítica humana e das consequências temporais, ao menos está anulado no que é
mais importante: na separação que ele faz entre o homem e Deus.
Fonte:
Fábio
Blanco
Divulgação:
www.juliosevero.com
Leitura
recomendada:
Pastor
que incentivou criminoso arrependido a se entregar para a polícia cai na teia
das leis anti-discriminaçãohttp://juliosevero.blogspot.com.br/

Nenhum comentário:
Postar um comentário