Patrick
J. Buchanan
Numa
coluna recente, Dennis Prager fez uma observação forte.
“A
vasta maioria dos principais escritores conservadores… tem uma perspectiva
secular sobre assuntos da vida… Eles não têm consciência do desastre que a
falta de Deus no Ocidente tem causado.”
Esses
conservadores seculares podem achar que “os Estados Unidos conseguirão
sobreviver se Deus e o Cristianismo morrerem,” escreve Prager, mas eles estão
errados.
A
religião de um povo, sua fé, cria sua cultura, e sua cultura cria sua civilização.
E quando a fé morre, a cultura morre, a civilização morre, e o povo começa a
morrer.
Isso
não descreve a histórica recente do Ocidente?
Hoje,
nenhuma grande nação ocidental tem um índice de natalidade que impedirá a
extinção de sua população natural. No fim deste século, outros povos e outras
culturas terão em grande parte repovoado a Europa.
E
enquanto os povos europeus — russos, alemães, britânicos, bálticos — diminuem
em números, a ONU estima que a população da África dobrará em 34 anos para bem
mais de 2 bilhões de pessoas.
O que
aconteceu com o Ocidente?
Conforme
G. K. Chesterton escreveu, quando os homens param de crer em Deus, eles não
passam então a acreditar em nada, mas eles creem em qualquer coisa.
Quando
pararam de crer no Cristianismo, as elites europeias começaram a se converter
para ideologias, ao que o Dr. Russell Kirk chamava de “religiões seculares.”
Por um
tempo, essas religiões seculares — marxismo-leninismo, fascismo e nazismo —
capturaram o coração e a mente de milhões. Mas quase todas estavam entre os
deuses que fracassaram no século XX.
Agora
os povos ocidentais adotam religiões mais novas: igualitarismo, democratismo,
capitalismo, feminismo, ambientalismo e uma Nova Ordem Mundial.
Essas
religiões também dão sentido para a vida de milhões, mas são substitutos
igualmente insuficientes para o Cristianismo que criou o Ocidente, pois essas
religiões não têm o que o Cristianismo deu às pessoas — não só uma causa pela
qual viver e morrer, mas também um código moral pelo qual viver, com a promessa
de que, no final de uma vida assim vivida, viria a vida eterna. O islamismo
também oferece essa promessa.
Contudo,
o secularismo não tem nada para oferecer que esteja à altura dessa esperança.
Olhando
para os séculos passados, vemos o que o Cristianismo tem significado.
Quando,
depois da queda do Império Romano, o Ocidente adotou o Cristianismo como uma
religião superior a todas as outras, já que seu fundador é o Filho de Deus, o
Ocidente criou então a civilização moderna, e então saiu e conquistou a maior
parte do mundo conhecido.
As
verdades que os Estados Unidos ensinaram ao mundo, acerca de uma dignidade e
valor humano herdados e direitos humanos invioláveis, têm origem num
Cristianismo que ensina que toda pessoa foi criada por Deus.
No
entanto, hoje com o Cristianismo praticamente morto na Europa e morrendo
lentamente nos EUA, a cultura ocidental está cada vez mais corrompida e
decadente, e a civilização ocidental está em declínio visível.
Rudyard
Kipling profetizou tudo isso em seu poema “Recessional”:
“Nossos
navios longínquos se foram; a glória afunda nas dunas de areia: Toda a nossa pompa
do passado foi-se!”
Todos
os impérios ocidentais desapareceram, e os filhos de povos outrora submetidos
cruzam o Mar Mediterrâneo para repovoar os países europeus, cujos povos
começaram a envelhecer, diminuir e morrer.
Desde 1975,
só duas nações europeias, a Albânia muçulmana e a Islândia, têm sustentado taxas
de natalidade suficientes para manter seus povos vivos.
Considerando
as populações europeias que estão diminuindo e as enormes ondas de imigrantes que
estão vindo da África, Oriente Médio e Oriente Próximo, parece que é certeza
que a Europa será islâmica antes do final deste século.
Vladimir
Putin, que foi testemunha próxima da morte do marxismo-leninismo, parece
entender que o Cristianismo é crucial para a Mãe Rússia, e busca reviver a
Igreja Ortodoxa e escrever o código moral dela de volta nas leis russas.
E
quanto aos EUA, “o país de Deus”?
Com o
Cristianismo excomungado de suas escolas e vida pública por duas gerações, e os
ensinos do Antigo e Novo Testamentos rejeitados como base legal, vimos um
declínio social assustadoramente profundo.
Desde
a década de 1960, os EUA têm batido novos recordes de aborto, crimes violentos,
prisões e consumo de drogas. Embora o HIV/AIDS só tenha aparecido na década de 1980,
centenas de milhares pereceram dele, e milhões agora sofrem dele e doenças relacionadas.
Quarenta
por cento dos nascimentos nos EUA são fora do casamento. Para os hispânicos, o
índice de filhos ilegítimos está acima de 50 por cento; para os negros, está
acima de 70 por cento.
A
pontuação dos estudantes do ensino médio dos EUA cai anualmente e se aproxima
de países do Terceiro Mundo.
O suicídio
é uma causa crescente de morte entre brancos de meia idade.
O secularismo
parece não ter resposta para a pergunta: “Por que não?”
“Como
é pequena, de tudo o que o coração sofre, aquela parte que as leis ou os reis
podem causar ou curar,” escreveu Samuel Johnson.
Os
conservadores seculares podem ter remédios para algumas das doenças dos EUA.
Mas, conforme observou Johnson, nenhuma política secular conseguirá curar a doença
da alma do Ocidente — uma fé perdida que parece irrecuperável.
Pat Buchanan é colunista do WND e foi
assessor do presidente Ronald Reagan. Ele é católico tradicionalista pró-vida e
já foi candidato republicano à presidência dos EUA.
Traduzido
por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): If God is dead…
Fonte:
www.juliosevero.com
Outros
artigos de Patrick J. Buchanan:
http://juliosevero.blogspot.com.br/
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